A estratégia para manter a Grã-Bretanha na UE

ANDRÉ HOELZLE*

Tanto para os que são a favor como para os que são contra  brexit, a estratégia ideal parece fácil. Um acordo transitório resolve quase todos os problemas potenciais, o maior dele um precipício econômico mesmo antes da data oficial de março de 2019 para a saída da União Europeia. O Reino Unido não quer pagar à vista uma fatura excessivamente elevada para ir embora, como manda o Tratado de Lisboa.

“Um acordo transnacional evitaria o precipício para a economia britânica em 2019, embora o perigo permanecesse na transição em 2021 ou 2022. A essa altura, a imigração já não seria um problema. O Reino Unido poderá viver uma escassez de médicos e enfermeiros e isso levaria a uma mudança da opinião pública: o resultado do referendo sobre o brexit perderia seu valor”.

Assim, qual seria a estratégia ideal para aqueles que querem que o Reino Unido continue a ser membro da UE e se recusam a aceitar os resultados do referendo? Uma via será manter a esperança foçando a realização de eleições; e depois que ganhe um partido empenhado na realização de um segundo referendo; por fim, que a UE aceite a revogação do brexit por parte da Grã-Bretanha sem impor condições.

Há os que defendem uma via diferente. Um acordo transnacional evitaria o precipício para a economia britânica em 2019, embora o perigo permanecesse na transição em 2021 ou 2022. A essa altura, a imigração já não seria um problema premente. O Reino Unido poderá viver uma escassez de médicos e enfermeiros e isso levaria a uma mudança da opinião pública: o resultado do referendo sobre o brexit perderia seu valor.

Mas os eleitores de agora não podem vincular eleitores de amanhã. Então, a essa altura já não estará sendo discutida a revogação do brexit, mas sim o regresso à UE sob a proteção do Tratado de Lisboa. Aqueles que tinham 12 anos na data do referendo de 2016 já terão idade para votar. Presume-se então que os jovens eleitores não repetirão o erro dos muitos eleitores mais idosos apoiantes do brexit, que já terão já falecido. A demografia joga a favor da permanência, mais ainda em 2022 do que em 2018.

Pode-se argumentar que tal campanha não tem chance de sair vencedora. Um recurso ao Artigo 49.º obrigaria o requerente a aceitar todo o corpo da legislação da UE sem autoexclusão nem compensações. Como tal, por que não manter-se na UE e aproveitar as atuais autoexclusões?

Continuo a ouvir este argumento aqui em Preston, mas a existência tóxica do Reino Unido meio dentro meio fora não tem funcionado? É lamentável que os defensores da UE dentro do Reino Unido se centrem na economia e excluam quase tudo o resto. O maior risco de uma campanha de reingresso no Artigo 49.º seria uma repetição do debate utilitarista e tristonho do ano passado. Uma campanha bem-sucedida para a UE necessitaria de um novo advogado, de alguém que pudesse defender a presença na UE com base na identidade e não na contagem de feijões.

E em relação ao euro? Em teoria, o Reino Unido teria de aderir à zona euro depois de reintegrar a UE. Mas a realidade é que nunca nenhum país será obrigado a adotar o euro contra sua vontade. Para os ingleses, trocar a sagrada libra por uma moeda estranha seria não só um sacrilégio, mas uma ofensa a sua majestade.

 

*O autor mora, estuda e trabalha em Preston (Lancashire, UK). a.holzle@live.com