A saída está em Cristo

FRANCISCO ESPIRIDIÃO

Quem acreditou na reforma trabalhista, principalmente no capítulo que bania do mundo a figura da malfadada contribuição sindical, pode ter, desde já, motivos de sobra para chorar as mágoas. Na terça-feira desta semana (8), os jornalões surgiram com a notícia de que as centrais sindicais estariam negociando com o governo e parlamentares uma tramoiazinha para ressuscitar o tal imposto, via medida provisória.

A contribuição sindical é aquela que todo trabalhador brasileiro tem o desprazer de ver descontado em seu contracheque (holerite) a cada mês de março. Dinheiro que jamais ele soube para que serve, qual a destinação. E pior, todos pagam. Até mesmo aqueles que nunca passaram na frente de um sindicato.

E para tristeza do já combalido trabalhador, a notícia vai além. Diz que, ao ressurgir, em novembro deste ano, o danado do imposto vem alimentado a Toddy. Vai ficar mais robusto. Quase três vezes maior que o que ainda está em vigor nesta era pré-reforma trabalhista. De um dia de trabalho, algo em torno de 4,5%, o contribuinte passará a ser garfado em 13% do salário, elevando os recursos arrecadados hoje, de R$ 3,53 bilhões, para cerca de R$ 10,2 bilhões.

A terça-feira (8), profícua em más notícias, faria jus ao discurso do Vampiro Brasileiro. Os mesmos jornalões anunciaram, por volta do meio-dia, palavras do presidente Michel Temer confirmando que havia estudos em andamento na cúpula econômica do governo para aumentar a alíquota do Imposto de Renda, dos estratosféricos 27,5% para 30% a 35%.

Mantida a ressalva anunciada, o fantasma não será tão assustador assim. Só os ‘marajás’ terão de pagar a superalíquota. Aqueles que ganham acima de R$ 20 mil por mês. Quando soube dessa ressalva, fiquei animado. O trabalhador brasileiro será preservado da malvadeza, pensei.

Mas, alegria de pobre dura pouco. Voltei a ficar ‘down’. Neste país, quem ganha de R$ 20 mil para lá de salário? Parlamentares, magistrados, ministros etc. Aí bateu uma dúvida. Será que eles vão cortar na própria carne? Vão comer essa centopeia sozinhos? O desconfiômetro indica que não vão aprovar, porque estariam mexendo no próprio bolso. Na pior das hipóteses, se não houver alternativa, o caminho será o de sempre: estender a malvadeza para todos os mortais, o que é o mais provável.

Na terça fatídica não se ouviu um pio sobre corte de despesas da parte da união e muito menos sobre melhorias para o Hospital Geral de Roraima. O local, assim como as demais instituições de saúde sob a responsabilidade do Estado, continua jogado às traças. Sem medicamentos básicos e muito menos condições de trabalho para os profissionais que ali dão o sangue.

“Mantida a ressalva anunciada, o fantasma não será tão assustador assim. Só os ‘marajás’ terão de pagar a superalíquota. Aqueles que ganham acima de R$ 20 mil por mês. Quando soube dessa ressalva, fiquei animado. O trabalhador brasileiro será preservado da malvadeza, pensei.”

Diante de tudo isso, “elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra” (Salmo 121.1-2). Ou o 37.5: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia n’Ele, e o mais Ele fará”. A saída está mesmo em Cristo, Jesus.
P.S.: O presidente desistiu do aumento da alíquota do IR.

*O autor é jornalista e escritor. fe.chagas@uol.com.br