Coluna Roraima Alerta

06 de agosto de 2018


EXCLUÍDOS

Com o decreto de atuação especial em vigor, mesmo com a recomendação contrária do Ministério Público Federal em Roraima e desaprovação de diversos órgãos, além de boa parte da população, as forças de segurança do Estado começaram a fechar o cerco aos venezuelanos ao restringir o acesso a serviços púbicos e ao retirar imigrantes de prédios públicos, até então completamente abandonados pela administração estadual. Foi o caso do local onde deverá (?) funcionar a sede do 1º Distrito Policial, cuja obra está parada há muito tempo devido a várias irregularidades licitatórias. Só não se sabe para onde estão sendo levadas as pessoas que são retiradas desses locais, levando em consideração o fato de que todos os abrigos construídos estão com a capacidade máxima atingida. Será que foram jogados nas ruas ou mandados de volta para a Venezuela?

ESTRANHEZA

O governo argumenta que as medidas pós-decreto, entre elas, as desocupações de prédios públicos e particulares, são "parte de um conjunto de ações voltadas à manutenção da ordem social e do patrimônio público".  Nenhuma pessoa de bem, seja nativa ou não, é contra a atuação das forças de segurança para que as coisas sejam mantidas em seus devidos lugares, mas causa muita estranheza que providências que deveriam ser tomadas há quase três anos, quando os imigrantes começaram a chegar timidamente ao Estado, sejam adotadas às vésperas das eleições em que Suely tenta ganhar mais um mandato.

MOVENDO PAIXÕES

Mexendo com ponto sensível a todos, ela conseguiu botar o caldeirão pra ferver mais ainda e acirrar o debate levado pela paixão de quem defende o acolhimento de estrangeiros em situação tal qual a dos venezuelanos e aqueles que são contrários e beiram à xenofobia. Os sensatos que defendem uma ordem social, mas sem que se deixe de lado a solidariedade a quem está na miséria, são bombardeados nas redes sociais por aqueles que caíram na lábia do governo de que a barafunda atual de Roraima é culpa dos venezuelanos. Não há de se negar que, apesar de toda sua inépcia, a governadora conseguiu o que queria. Pelo menos, por enquanto.

SEMELHANÇAS

Como a Internet parece ser campo livre para tudo o que as pessoas desejam "vomitar", ninguém escapa. E com Suely, não poderia ser diferente, mesmo com seu momento de glória entre os seus seguidores que acreditam que ela, na semana que passou, inventou a roda e está no caminho para trazer a paz de que tanto os roraimenses precisam e resolver, numa canetada, a crise migratória. Com suas medidas excludentes, já há a quem chame de "Trumpa" ou "Suely Trump", em referência, guardadas as devidas proporções, ao presidente norte-americano e sua política restritiva a imigrantes. São dois dos representantes máximos do que há de mais retrógrado quando o assunto é lidar com imigração.

'LACRAR' PARA LUCRAR

É importante voltar a bater na mesma tecla, principalmente pra que fique claro para os cabeçudos de plantão e para quem pensa mais com o fígado do que com o cérebro: é minimamente razoável que, boa parte dos que aqui habitam, querem que as coisas estejam sob total controle. É inegável que Roraima sofre com os impactos da imigração desenfreada de venezuelanos, mas, diante de medidas tardias do governo, principalmente a limitação e "filtragem" do fluxo na fronteira, não se pode assistir calado a medidas populistas com o claro intuito de acirrar os ânimos, incitar o ódio ao estrangeiro e excluí-los de serviços públicos básicos, numa quase promoção ao banimento. Como não agiu no tempo correto, agora Suely tenta "lacrar" (ou lucrar) em cima da desgraça alheia, achando que tudo será resolvido com o endurecimento no trato aos venezuelanos de forma indiscriminada, a despeito de que a maioria não seja bandida.

 

DISCURSO DELIRANTE

E nunca é demais lembrar: enquanto milhares de alunos do interior do Estado estão sem assistir às aulas por falta de transporte, dezenas de ônibus escolares foram usadas sexta-feira passada para levar milhares de "eleitores" de Suely Campos à convenção do PP no Parque Anauá que oficializou sua candidatura ao governo.  Foram pessoas de vários lugares de Roraima "convidadas" a participar do evento, entre elas, centenas de ocupantes de cargos comissionados que foram por livre e espontânea pressão presenciar a governadora delirar em discurso sobre as ações de seu primeiro mandato. É preciso que os órgãos de fiscalização sejam instigados, que a imprensa fiscalize, que a população denuncie e se combatam as arbitrariedades promovidas por uma cúpula de insensatos.

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