Coluna Roraima Alerta

08 de agosto de 2018

Decisão monocrática da ministra Rosa Weber, do Tribunal Superior Eleitoral, condenou a governadora de Roraima por doação irregular


DEPOIS DA CALMARIA...

Decisão monocrática da ministra Rosa Weber, do Tribunal Superior Eleitoral, condenou a governadora de Roraima por doação irregular recebida quando foi candidata em 2014. Embora caiba recurso, a condenação deixa Suely Campos, do PP, na iminência de se tornar inelegível, caso não reverta a situação, e ficar fora da disputa deste ano. Coincidentemente, a data do documento é 3 de agosto, mesmo dia em que ocorreu a convenção do partido da candidata. Um duro golpe em quem, há poucos dias, fez uma festança para oficializar a candidatura à reeleição. Agora, ela corre da sala pra cozinha com seus asseclas na intenção de contornar mais esse revés de um mandato conturbadíssimo.

MENTE CONFUSA

O processo (cujo número é 304-26.2015.6.23.0001, para quem quiser consultar) informa que a governadora foi condenada por doação acima do limite permitido. A representação foi feita pelo Ministério Público Eleitoral, que constatou as irregularidades. Todo o busílis se dá em torno de três declarações (a inicial e duas retificadoras) apresentadas por Suely.  Primeiro, ela declarou rendimentos de pouco mais de R$ 87,5 mil. Depois, assumiu o erro na declaração e informou um valor inferior. Finalmente, a governadora voltou atrás e, numa nova "retificação", informou que houve equívoco nas informações do segundo documento retificador. Em suma, confusões peculiares de alguém que o povo já conheceu bem ao longo desses três anos e meio.

DRIBLE

Mas, sejamos justos: a confusão não se deu apenas no "entendimento" da governadora. Rosa Weber deu provimento ao recurso especial de Suely e chegou a julgar improcedente a representação por doação de recursos acima do limite legal nas Eleições 2014, concluindo que a declaração retificadora (?) de rendimentos constitui documento hábil para aferir a regularidade dos recursos doados, o que foi contestado pelo Ministério Público Eleitoral, que argumentou que tal documento, por si só, não é adequado (idôneo é o termo exato) para afastar ilícito eleitoral. Rosa, ao voltar atrás, diz, em outras palavras, que se tentou dar um drible na Justiça Eleitoral, e num intervalo de quase um ano entre a primeira declaração e a retificação, o que atesta o intento de burlar a aplicação da norma.

CALDINHO DE IMPROPÉRIOS

O candidato à Presidência Jair Bolsonaro não poderia estar em melhor companhia ao escolher como vice o general da reserva Hamilton Mourão. As besteiras de Bolsonaro há muito tempo já são públicas e todos sabem da sua ignorância abissal. O que muitos não conheciam, inclusive seus "seguidores", era a estupidez de seu companheiro de chapa, que se tornou notória no fim de semana, durante reunião na Câmara de Indústria e Comércio de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, ao relacionar indolência (a dita preguiça) e a malandragem, respectivamente, a índios e negros, referindo-se a um tal de "caldinho cultural" existente no Brasil. A declaração causou polêmica e indignação de milhares de pessoas e entidades. Tentando justificar o injustificável, Mourão tergiversou e quis colocar a coisa num certo "contexto cultural", afirmando que sua fala tem base em "estudiosos gabaritados da nossa nacionalidade", mas não citou suas fontes. O pensamento do general, assim como o de Bolsonaro, está mais próximo da eugenia nazista, que pregava a superioridade de uma "raça", do que de teorias sociológicas que expliquem o jeito de ser brasileiro. Trata-se de um verdadeiro despautério!

NA BASE DO FUZIL

O discurso e pensamento de Mourão se coadunam de maneira umbilical aos de Jair Bolsonaro, que faz incitação ao estupro (quem não se lembra do caso envolvendo a deputada Maria do Rosário?), declara que quilombolas não servem nem para procriar e são pesados em arrobas como se fossem animais e preferia ter um filho morto a aceitá-lo homossexual. Esse é o cristianismo (assim mesmo, em letras minúsculas) pregado pelo candidato do PSL que até pouco tempo pertencia ao Partido Social Cristão (PSC), um estímulo ao ódio, à intolerância e à estupidez que só passam pela cabeça de gente retarda que nega os fatos históricos, distorce-os e vive uma realidade em que o antagônico deve ser eliminado na base do fuzil. Trata-se de uma dupla de reacionários da pior espécie protegida pelo manto da democracia que eles tanto desprezam.

'PROFUNDA IGNORÂNCIA'

E ainda sobre Bolsonaro-Mourão, é de fundamental importância reproduzir trecho da nota do Conselho Indigenista Missionário (Cimi): "Repudiamos veementemente as declarações injuriosas e injustas aos povos indígenas e à população negra do Brasil proferidas pelo candidato a vice-presidente da República. Tais declarações explicitam profunda ignorância e alimentam o racismo de parcela da sociedade brasileira contra essas populações historicamente injustiçadas e massacradas em nosso país". Repúdio assinado embaixo por uma esmagadora parte da população de bem que tem horror a "pensadores" dessa estirpe.

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