Coluna Roraima Alerta

11.04.19_RR Alerta

Denarium chega a 100 dias e consegue aprovar o orçamento


100 dias

Ao completar 100 dias de gestão, Antonio Denarium (PSL) ganhou quase que um presente da Assembleia Legislativa: a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA). Mas, nem tudo foi vitória para o governo, a Lei só passou pelo plenário com a aceitação de 23 emendas parlamentares, incluindo a garantia do compromisso assumido pelo presidente Jalser Renier (SD) de congelar o orçamento do duodécimo dos poderes, além de destinar R$ 1,6 milhão para a manutenção do concurso da Polícia Militar, com a ressalva de que mesmo com recursos garantindo no orçamento, a continuidade do certame é decisão do Executivo Estadual. Inclusive, a Lei volta para Antonio Denarium que poderá estabelecer seu poder de veto. Ou seja, ainda há expectativa sobre o orçamento.

 

Queda de braço

Ao assumir o governo, Denarium chegou a trocar algumas indiretas com o presidente da ALE, principalmente, pela divergência de opinião em relação aos valores do duodécimo dos poderes. Denarium fez a campanha eleitoral repetindo que o problema do Estado não era dinheiro e sim gestão. Depois que assumiu, mudou a fala e atribuiu a dificuldade financeira à quantidade de recursos consumidos pelos poderes. Isso gerou uma mal estar grande juntos às instituições que só foi mediado com a intervenção de Jalser. Nesta quarta (9), ao final da sessão que analisou a proposta orçamentária, politicamente Jalser saiu vitorioso novamente. Conseguiu atender ao apelo do governador sobre os repasses do duodécimo, numa atitude conciliadora, e ainda agradar aos concurseiros.

 

Avaliação

O Governo fez material publicitário para celebrar as conquistas dos 100 dias de gestão. Apesar de um jingle chiclete, o vídeo não deixa claro que avanços foram esses. É certo que o trabalho de Denarium não é nada fácil mesmo, considerando os problemas deixados por sua antecessora, a ex-governadora Suely Campos. Mas, o governador pecou pela própria língua ao criar a expectativa de soluções imediatas para as dificuldades do Estado, afundado em falcatruas que estão sendo denunciadas até de maneira constrangedora por seus próprios aliados. Há poucos dias, as declarações de Ailton Wanderley caíram como uma bomba no colo do gestor estadual que precisou ter muito jogo de cintura para lidar com seus aliados. Nos 100 dias, a ação mais efetiva da atual gestão foi conseguir organizar o pagamento dos servidores estaduais, mas por outro lado, a tentativa de suprimir direitos a partir de ações no Supremo Tribunal Federal (STF) ainda pode azedar essa relação.

 

Seguem

Os problemas estruturais ainda são presentes. Denarium não fez a tão alardeada reforma administrativa onde prometeu reduzir o 'tamanho do estado', promovendo a economia e o equilíbrio orçamentário. Na educação, faltam profissionais e a questão do transporte escolar continua um grave problema. Na Saúde, as reclamações e denúncias dos pacientes se acumulam, somadas às desconfianças sobre a corrupção que domina a pasta. Depois da fala polêmica de Ailton, alguns aliados fortes do governador reclamaram muito e o que se diz, é que Denarium sofreu uma forte pressão para abafar o tema e deixar cair no esquecimento. O senador Mecias de Jesus (PRB) que é um dos homens com maior abertura na gestão estadual entrou na lista dos principais suspeitos de comandar o esquema denunciado pelo ex-secretário. Mecias tem ligação direta com empresas que prestam serviços para o Estado, especialmente, a União Comércio e Serviço que recebeu mais de R$ 80 milhões do governo entre 2015 e 2018, sendo os maiores pagamentos liberados em julho, pouco antes das eleições, o que engrossa as suspeitas desse dinheiro ter sido usado para a compra de votos ou para financiar os conchaves políticos em torno da candidatura de Mecias e do seu filho, o deputado federal Jonathan de Jesus, também do PRB. 

CPI

Se o tema não cair no esquecimento, muita coisa pode vir à tona, isso porque os deputados seguem discutindo a proposta de implantar a CPI da Saúde. Pelo menos 12 parlamentares já teriam se manifestado favoráveis a instalação da Comissão, porém, nada foi apresentado oficialmente no plenário. Há quem aposte na inércia mais uma vez, isso porque as denúncias de Ailton e tudo que acontece até hoje dentro da Sesau pode implicar em problemas sérios para alguns deputados da Casa e até para senadores, como Mecias. Será preciso muita coragem dos deputados para seguir adiante com esse trabalho. Basta lembrar que há dois anos, o deputado Jorge Everton (MDB) fez um trabalho primoroso de investigação, apresentando um relatório com fotos e detalhado, sobre irregularidades no Sistema Prisional. Mesmo com todo o esforço do parlamentar o assunto morreu. Assim como morreram as informações sobre as operações feitas pela Polícia Federal tanto no Sistema Prisional como na Secretaria Estadual de Educação. Os principais suspeitos e acusados seguem impunes. Entre eles, a própria Suely Campos que nem sequer foi citada nessas operações onde muita sujeira foi constatada. Infelizmente, a impunidade impera e é isso que estimula a continuidade desse tipo de roubo.

 

JBS

Ninguém lembrava que o deputado federal Hiran Gonçalves (PP) tinha sido citado no escândalo da JBS. A lembrança veio à tona com a divulgação de um discurso inflamado, feito pelo colega de Câmara Federal, o deputado Emerson Miguel Petriv (PROS) mais conhecido como o Boca Aberta. No plenário da Casa, Boca fez duras acusações ao deputado Hiran, inclusive de que o mesmo usaria seu plantão para assistir pornografia ao invés de atender aos pacientes. O nível foi baixíssimo, mas serviu para mostrar que nem mesmo Hiran, que se apresenta sempre como um pessoa de conduta ilibada, está limpo. O parlamentar roraimense nunca comentou sua participação no escândalo da JBS, também jamais abriu a boca para falar nada contra os desmantelos comandados por Suely Campos, do qual foi aliado durante todo o seu mandato anterior. Se Roraima tem graves problemas decorrentes da gestão passada, isso também é responsabilidade de Hiram, que se manteve calado, distante e portanto, conivente com todo o roubo praticado nos anos anteriores. Basta saber se o dinheiro desviado da Sesau também o beneficiou de alguma maneira.

 

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