Coluna Roraima Alerta

Cadê a CPI da saúde?

060919 RR Alerta


Que fim deu?

A sociedade está cobrando quais serão as providencias adotadas após as denúncias feitas pelo ex-secretário de saúde, Ailton Wanderley. Num momento de revolta, ele expôs o que é o maior problema na gestão da saúde pública: o roubo cometido por políticos que só querem se favorecer a partir dos contratos firmados com a Secretaria Estadual de Saúde. E não é de hoje que as suspeitas sobre esses favorecimentos surgem. Triste é ver que enquanto a população que depende e precisa do serviço morre sem o atendimento de qualidade, outros estão lucrando ao sugar um dinheiro que deveria ser aplicado em salvar essas vidas.

 

CPI

A cobrança serve para todos os órgãos de controle que, há mais de quatro anos, estão mantendo os olhos fechados para a grave problemática da saúde pública de Roraima. E a respostas de que esses órgãos só atuam quando acionados não cabe mais. O Roraima em Tempo tem conhecimento de vários documentos, elaborados com informações e até registros fotográficos denunciando a existência de um possível esquema de corrupção que envolve políticos locais, empesas prestadoras de serviço e as decisões de gestores públicos em favorecer um ou outro aliado.

 

ALE

Na Assembleia Legislativa, o pedido de abertura da CPI chegou a ser apresentando na forma de requerimento pelo deputado Renato Silva (PRB), mas após isso, o assunto também morreu e coloca a ALE na condição do mesmo julgamento feito quando o deputado Jorge Everton (MDB) apresentou o relatório da CPI do Sistema Prisional. Mesmo com fotos e informações que comprovavam claramente, as irregularidades, na Casa Legislativa o assunto que poderia inclusive levar ao impeachment de Suely Campos, emperrou e, de concreto nada foi feito. Ou seja, naquela época os deputados foram apontados como coniventes com a roubalheira do governo Suely e hoje, será que continuarão inertes enquanto a população, a mesma que os elegeu, segue gritando por socorro?

 

Será?

Por que a CPI da saúde não avançou? Primeiro porque obviamente, tem muito político com receio do que uma investigação nesse nível pode revelar. Há quem diga que o próprio Renato Silva, deputado que fez o requerimento para a instalação da CPI, foi advertido a deixar o assunto morrer. O autor da advertência seria ninguém menos que o presidente do PRB em Roraima, o senador Mecias de Jesus. E muita gente apostas fichas que a CPI pode implicar em problemas para o senador, por isso, Renato foi aconselhado a 'deixar o assunto morrer' assim como outros parlamentares que hoje, compõem a base aliada do governo.

 

 

Interesse

E por que Mecias teria chamado a atenção de Renato Silva para que a CPI da Saúde caia no esquecimento? Para que não lembra, Mecias era quem detinha o comando político da Secretaria Estadual de Saúde na gestão de Suely. É por isso que, nem ele e nem o filho, o deputado federal Jhonatan de Jesus (PRB), nunca abriram a boca para falar dos problemas de saúde. E tem um agravante nesse inércia toda: Jhonatan é médico. O próprio Roraima em Tempo teve acesso à denuncias encaminhadas aos órgãos de controle que apontam fortes indícios de envolvimento do senador com os contratos da saúde. Os fatos que chamam mais atenção ocorreram pouco antes do início do processo eleitoral, quando Mecias ainda era da base aliada de Suely. Pelas provas coletadas, tudo indica que ele mantém laranjas administrando empresas como a União Comércio e Serviço LTDA que até 2018, recebeu mais de R$ 80 milhões de dinheiro do estado com contratos, especialmente, na área da saúde.

 

Laranjas

A empresa é geridas por primos diretos de Mecias de Jesus, os irmãos Gilmar e Antônia Pereira de Araújo. Porém, os mesmos levam uma vida bem tranquila e humilde, nada condizente com o volume de recursos movimentados pela empresa nesse período. Um dos primos tem residência no Sul do Estado, vive em casa humilde e é conhecido por se ocupar com a agricultura, bem diferente da função empresarial que deveria assumir. A outra sócia, mora em uma casa bem humilde também, no bairro Cambará. Pelos relatos enviados aos órgãos de controle, a rotina dos dois sócios é muito diferente do que se espera de sócios-proprietários de uma empresa que movimentou muito dinheiro nos últimos anos. Cabe a investigação, inclusive para redimir a dúvida que existe sobre o favorecimento da candidatura de Mecias e seu filho Jhonatan, por meio dos recursos obtidos através desses contratos.

 

Impunes

É lamentável que o silêncio impere sob um assunto tão importante como a gestão dos recursos públicos da saúde e que, descaradamente, se agravou enquanto políticos se aproveitavam do dinheiro público. O próprio governador Antonio Denarium (PSL) já denunciou que houve desvio de recursos até na obra de ampliação do novo bloco do Hospital Geral de Roraima, segundo ele, dados documentados que também estão de posse dos órgãos de controle. Não são apenas os deputados estaduais, o próprio governo ou os órgãos de controle que precisam se manifestar urgentemente a esse respeito. A sociedade precisa estar atenta e cobrar para que, aqueles que foram eleitos pelo povo, mas não pensam na população, não permaneçam impunes. Parafraseando o ex-secretário de Saúde, enquanto atender os interesse de empresas de políticos forem prioridade na gestão dos serviços de saúde, a população vai sofrer e isso não é culpa da crise migratória.

 

Culpados

A Justiça começou a impor novas condenações à família Campos. Semana passada o pai, Neudo Campos, foi condenado a mais dois anos de prisão por falsificar documentos para favor um candidato no processo eleitoral de 2014. A matriarca, Suely Campos, foi condenada a devolver quase R$ 300 mil para os cofres do Estado por danos ao erário público, após convocar uma segunda turma para o curso de formação de oficiais da Polícia Militar. É pouco diante do rastro de caos deixado pela ex-gestora e diante de todas as suspeitas e indícios de crimes cometidos com o dinheiro público durante sua passagem no governo. Há rombo na educação, com o transporte escolar, na segurança, na saúde e em obras de infraestrutura, tudo aos olhos dos órgãos de fiscalização e que motivaram investigações da Polícia Federal. É aguardar que esses processos sejam concluídos e que tanto Suely, quanto outros membros de sua família responsáveis por esse desmonte, assumam as consequências dos seus atos.

 

Massa de manobra

É lamentável como a política indigenista em Roraima foi corrompida por interesses escusos. Esta semana, a sociedade acompanhou um pequeno manifesto, com meia-dúzia de representantes dos indígenas pedido a alteração do gestor do Dsei-Leste. Essas lideranças só fizeram isso porque foram motivadas por um político local que entende a alteração como algo que traga um benefício próprio ao seu mandato, o que é um grande absurdo. Roraima tem uma grande população indígena que luta para melhorar de vida, eles querem acesso a energia, água encanada, educação, saúde de qualidade e até internet. O isolamento social não é mais visto por eles como uma solução de preservação dos seus costumes, pelo contrário, a própria internet se mostra como uma ferramenta que auxilia na conservação dessa memória e que os indígenas, em sua maioria, gostam de ter acesso. Mas, seus representantes insistem em defender uma condição de vida sub-humana retrógrada, o que é lamentável.

 

 


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