Coluna Roraima Alerta

Opinião: A relação pai e filhos nos bastidores da política local e nacional


PIROU

Quando se fala no senador Telmário Mota (PROS), a única certeza que se tem é que não há limites para a vergonha que ele fez a população passar. Depois de ter seu vídeo exibicionista vazado nas redes sociais, ao invés de se recolher, pedir desculpas, ele soltou um áudio se vangloriando por estar sofrendo com supostos pedidos de mulheres que gostariam de ver o restante do corpo do parlamentar. Primeiro, é difícil imaginar que uma mulher em sã consciência peça tal coisa. Segundo, Telmário ofende a honra da população feminina ao generalizar em sua afirmação.

MACHISTA

O comportamento de Telmario é mais um exemplo da cultura machista que ainda impera na sociedade, onde o homem pode fazer e falar o que quiser, submetendo as mulheres aos seus desejos mesmo contra vontade. Um comportamento que, pela história de Telmario, é comum a sua personalidade. Apenas um machista ao extremo seria capaz de levantar a mão contra uma mulher, agredi-la fisicamente e ameaçar sua vida. Foi isso que Telmário fez em pleno Natal de 2015, ao deixar uma estudante todas machucada. Os relatos estão no Boletim de Ocorrência registrado pela mesma, onde ela também afirma que mantinha um relacionamento extraconjugal com o parlamentar por três anos, iniciado quando a mesma ainda era menor de idade. Um exemplo de machismo puro.

PARADO

A denúncia registrada na Delegacia de Defesa da Mulher deu origem a um processo criminal que tramita na justiça estadual. Desde 2015 até hoje, pouca coisa avançou. A estudante, vítima da agressão, chegou a ser coagida a retirar a queixa que só seguiu em frente graças aos mecanismos mais recentes da Lei Maria da Penha. Apesar da gravidade, das suspeitas que pesam contra o senador da república, a Justiça Estadual ainda não deu prosseguimento ao processo e Telmário segue impune, exibindo seu físico nada escultural com discursos que ofendem ao generalizar as mulheres, no Estado que é considerado o mais violento para a mulher no Brasil.

SUJO

O deputado estadual Renan Bekel (PRB) anda bem nervoso. Quem convive com o parlamentar afirma que os nervos do jovem deputado estão à flor da pele. E os motivos sãos os processos que tramitam na justiça envolvendo seu nome e que podem resultar em graves problemas para sua vida pública e pessoal. Ele é citado no inquérito que apura o desvio de recursos públicos do Sistema Prisional, por ter supostamente, vínculos com a empresa Qualigourmet Serviço de Alimentação LTDA. A ação resultou no bloqueio financeiro e indisponibilidade de bens imóveis do deputado e outros sócios, incluindo Guilherme Campos, filho da ex-governadora Suely Campos.

COMPROU

Em outra ação judicial, Renan é citado junto com o senador Mecias de Jesus (PRB), acusado de participar de um esquema de compra de votos que definiu alguns resultados da última eleição. Os fatos estão sendo apurados pela justiça eleitoral e quem teve acesso aos autos, informa que as provas são muito contundentes e ao que tudo indica, a vida parlamentar de Renan pode acabar em poucos meses. Nos corredores, a fofoca é que de tão desesperado, o novato deputado estadual estaria proferindo ameaças e até tentando coagir testemunhas do referido processo. O que se sabe de real é que o humor de Renan está péssimo.

CARGOS

Não é de hoje que o deputado federal Jhonatan de Jesus (PRB) tem suas relações estremecidas com a base do Governo Federal. Mesmo compondo a base de apoio que ajudou a eleger o presidente Jair Bolsonaro (PSL), o jovem parlamentar está sendo visto com frequência bradando com a equipe de governo para ter o direito a indicar pessoas para cargos públicos da esfera federal. Depois de um rápido desentendimento com o Ministro da Economia, Paulo Guedes exatamente por exigir o direito a algumas indicações, Jhonatan e seu pai, o senador Mecias de Jesus (PRB) mudaram o foco e passaram a tecer ácidas críticas às decisões do Governo Federal. Ficou nítido que nenhum dos dois gostou do corte que levou do Ministro e da posição que segue sustentada (não se sabe até quando) pelo presidente Jair Bolsonaro.

CARTADA

A última cartada da dupla Jhonatan e Mecias foi reunir assinaturas dos senadores Chico Rodrigues (DEM) e Telmario Mota (PROS) em torno da indicação de um nome para a coordenação do Dsei - Yanomami. O que chama a atenção no documento é a anuência dos demais colegas e a presença da assinatura de Jhonatn confirmando que o pedido é de interesse total do clã Jesus. Mais significativo que isso é que os dois, que há poucas semanas endossavam o coro de reclamações em relação a pessoas que ocupavam cargos de chefia nos órgãos federais, indicam um profissional que já fez parte da base dos Distritos Sanitários de Saúde Indígena, ou seja, alguém que até pouco tempo eles criticam como sendo indicação de outra pessoa. É bem difícil entender como a cabeça de pai e filho funcionam.

INDICAÇÕES

Mas a prática de indicações para ocupação de cargos é muito comum para Mecias. O apoio político destinado ao governador Antonio Denarium (PSL), por exemplo, saiu bem caro. Custou o comando das indicações políticas para a CAERR, CERR e Codesaima. Mecias ainda tenta beliscar sua pasta preferida: a saúde, na qual manteve o comando enquanto era aliado de Suely Campos. Na CAER, o senador está fazendo a festa dos cargos. Garantiu cargos com salários bem elevados para seus parentes, incluindo dois genros que ocupam funções com salários de até R$ 20 mil, sendo que um deles é dentista e dono de postos de gasolina, outro negócio que Mecias compartilha com a família. A prática de indicações que ele já domina em âmbito estadual é o que está tentando forçar para acontecer também na esfera federal.


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