Coluna Roraima Alerta

Opinião: denúncias e mais denúncias sobre a Saúde de Roraima


LUTO

A Coluna destacou ontem, a situação de uma idosa internada no Hospital Geral de Roraima, cuja filha e acompanhante fez uma grave denúncia afirmando que sua mãe não estava recebendo os cuidados mínimos de higiene. Segundo a denúncia que circulou em vários grupos de whats, a idosa estaria com tapurus em sua cabeça e a família teve muita dificuldade de conseguir a autorização para fazer um corte de cabelo na paciente e a assepsia necessária para evitar os vermes. Infelizmente, a idosa não resistiu e faleceu nesta terça-feira (28). A filha que fez a denúncia, deu um depoimento emocionada e cheia de indignação. Ela lembrou que agora foi sua mãe que perdeu a vida, mas que amanhã poder ser a mãe de qualquer outra pessoa que depende da saúde pública, cobrou ainda providências do governo, dos políticos e dos órgãos que deveriam fiscalizar e garantir a qualidade do serviço. A filha disse que não deixará o caso da sua mãe ser esquecido. 

REPRESENTA

A dor vivida por essa família representa o que a maioria dos pacientes que dão entrada no HGR estão vivendo. As denúncias sobre a falta de limpeza, de materiais, de condições de trabalho não para de surgir. A revolta da filha que relatamos acima, abriu caminho para que outros acompanhantes de pacientes se manifestassem sobre a situação de calamidade que se encontra a Unidade. Lamentável que vidas estejam sendo perdidas devido a essa condição. E mais absurdo ainda é que não há nenhuma ação ou proposta prevista pelo Governo de Roraima para mudar essa realidade. 

PROMESSA

Antonio Denarium (PSL) venceu as eleições com o discurso de que promoveria uma transformação rápida no Estado, porque segundo ele, o problema não era falta de dinheiro e sim, de gestão. Há poucos dias de chegar aos seis meses de mandato, pouca coisa avançou e nenhuma melhoria na saúde foi percebida. Como ação inicial, Denarium decretou situação de calamidade pública. Foram 180 dias em vigor e nada de efetivo foi realizado. Os contratos, que estão sob suspeitas, não foram auditados, não houve prestação de contas sobre como o recursos destinado a pasta está sendo utilizado, anunciaram compra de medicamentos, mas nas unidades, os pacientes seguem sofrendo com a falta de tudo. A promessa feita por Denarium, infelizmente, não está sendo cumprida. 

PRORROGA

E nesta terça, a população foi pega de surpresa com a publicação do decreto que prorroga a situação de calamidade na Saúde, assinado por Denarium. Para quem não lembra, o decreto inicial foi assinado em janeiro deste ano, quando o HGR recebeu pacientes venezuelanos feridos nos conflitos registrados na fronteira. Na época, Denarium justificou que a Saúde estadual não tinha condições de atender uma demanda maior de pacientes em estado emergencial ou grave. Com o decreto, o Governo garantiu mais facilidade para realizar compras emergenciais de medicamentos e materiais médico-hospitalar, o que deveria trazer uma melhora no atendimento à população. Mas, isso nunca aconteceu. Agora, a medida é prorrogada e no decreto consta "prorrogável enquanto permanecerem as circunstâncias causadoras do colapso" . Mas, as circunstâncias não eram os conflitos na fronteira? Essa situação não foi apaziguada? O que foi feito nos 180 dias anteriores? São muitas dúvidas que precisam ser respondidas. 

FISCALIZAÇÃO

Enquanto uma idosa morre com tapurus na cabeça, a CPI da Saúde na Assembleia Legislativa nem saiu do papel. Muitos deputados temem o resultado desse investigação que pode expor os nomes dos políticos que se beneficiam com os recursos da saúde, confirmando a denúncia feita pelo ex-secretário Ailton Wanderley. Ele mesmo não deixa de ser co-responsável por toda essa situação, afinal, não disse quem são os políticos que seguem mamando nas tetas da saúde pública enquanto a população sofre. Soma-se a Ailton, a maior parte dos deputados estaduais que seguem inertes e com medo de enfrentar os peixes grandes, verdadeiros responsáveis por esse caos. E quem abre a boca para falar alguma coisa, como deputado estadual Renato Silva (PRB) é logo chamado a atenção. Neste caso, pelo que se conta, a bronca veio do próprio presidente do partido, o senador Mecias de Jesus (PRB). 

FALAM NADA

Muita gente tem cobrado uma manifestação efetiva da classe política de Roraima. São três senadores e mais oito deputados federais que permanecer quietos, sem falar nada sobre o tema. Não é de hoje que a saúde está um caos, a gestão de Suely Campos comprometeu seriamente a área e o que Denarium enfrenta agora é um sério resquício dessa falta de responsabilidade com o povo. A culpa do governador, se é assim que podemos dizer, se refere a ter prometido a melhoria rápida do serviço e ainda não ter avançado nesse sentido, mesmo com os decretos de calamidade vigentes. Neste momento grave, Denarium precisa deixar de visitar grandes empresários e colocar seu foco de atenção no que a população precisa de imediato: a melhoria nos serviços de saúde. 

CALADOS

Voltando aos políticos, quem espera que Mecias ou Jhonatan de Jesus (PRB) falem algo sobre esse problema, tem que esperar deitado porque sentado cansa. É muito simples chegar a essa conclusão: o clã Jesus esteve o mandato interior de Suely em sua base aliada. Não fizeram nenhuma crítica a condição precária da saúde pública. Mudaram para o palanque de Denarium, assistindo às denúncias sobre políticos que se favorecem com empresas terceirizadas estourar. Mantiveram-se calados e assim vão ficar, porque as suspeitas de que é o clã Jesus um dos que mais se beneficiou com esse tipo de contrato é muito grande. Pra que chamar atenção para o próprio problema, né? Jhonatan é médico e nem por isso, tem se compadecido dessas situações. 

ABSURDO

Nesta terça, a Comissão de Assuntos Econômicos discutiu a volta da obrigatoriedade do extintor de incêndios nos veículos. Para quem não lembra, esse projeto chegou a vigorar em 2018 e fez muito condutor gastar uma grana comprando o extintor de incêndio para o seu carro. Logo em seguida, a decisão foi suspensa. Pois bem, adivinhem quem eram os senadores que defendiam A VOLTA DA OBRIGATORIEDADE? Se o leitor atento lembrou dos senadores de Roraima, acertou. Lá estavam Telmario Mota (Pros), Chico Rodrigues (DEM) e Mecias de Jesus tecendo os piores argumentos possíveis à favor dessa obrigatoriedade.

FORA DE SINTONIA

Enquanto a população do Estado vive o caos da saúde pública, Mecias, Chico e Telmário estão na CAE cobrando que o condutor tenha que gastar mais dinheiro comprando extintor específico pro seu carro. Os nobres parlamentares parecem viver alheios aos graves problemas enfrentados em Roraima, especialmente, na saúde pública. Mecias e Chico ainda tiveram a coragem de publicar suas defesas ao extintor de incêndio nos seus stories como se fosse uma grande vantagem, um benefício enorme para o brasileiro. Por sorte, a maioria dos membros da CAE agiu com coerência e rejeitou a proposta. E quem confiou seu voto à Telmário, Mecias e Chico deve estar agora muito arrependido do que fez.

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