Coluna Roraima Alerta

Opinião: palavras contraditórias do deputado Coronel Chagas na Assembleia Legislativa


PLANEJAMENTO

A Coluna repercute hoje uma opinião manifestada pelo deputado estadual Coronel Chagas (PRTB) no plenário da Assembleia nesta terça-feira (21). Chagas usou o microfone da Casa para afirmar que é necessário um "planejamento estratégico" para a reorganização do Estado. O que o deputado diz não é novidade para ninguém, mas há novidade na posição que o mesmo adota. Até pouco menos de um ano, Chagas estava na base de Suely Campos, endossando ações inescrupulosas e, baseada nas operações da Polícia Federal, podemos classificar como ações criminosas. Mesmo acompanhando o desmantelo que Suely causou, o deputado se manteve inerte ao compromisso político assumido com Suely. É, portanto, conivente com tudo que o Estado passou.

BASE ALIADA

No segundo turno das eleições, Chagas declarou apoio a Antonio Denarium (PSL) tanto que chegou a ocupar o cargo de líder do governo na Assembleia por alguns meses. Seguiu apoiando as propostas como parceiro político da gestão até ser substituído por Soldado Sampaio (PCdoB). Chagas não é o deputado menos ativo, mas também não é o que assume a defesa dos interesses da população, ainda mais quando isso vai de encontro com as ações praticadas por aqueles que escolheu como aliados. O discurso proferido na ALE ficou meio fora de contexto, considerando o histórico do deputado, porém, os mais atentos afirmam que a mudança de postura pode ter uma relação com os acordos políticos que já estão sendo costurados nos bastidores para as eleições de 2020.

REFORMA

Mesmo sofrendo pressão da sociedade e até críticas, o governador Antonio Denarium não dá nem sinal de que pretende efetivar a proposta de Reforma Administrativa, que já deveria ter saído do papel há mais de dois meses, conforme publicação no Diário do Estado. Quem acompanha o chefe do Executivo de perto, afirma que não é falta de vontade do governo e que o mesmo já teria todo o planejamento para enxugar a folha de pagamento do Estado, com a redução do número de secretarias e autarquias. O problema, segundo os mais chegados, é que Denarium estaria sofrendo forte pressão dos próprios aliados para evitar a mudança administrativa.

REDUÇÃO

Reduzir o número de secretarias e o número de cargos em comissão implicaria em colocar para fora gente que está acomodada na gestão, que votou em Denarium e se comprometeu com a campanha de pessoas que hoje, ocupam os cargos de primeiro e segundo escalão. Não faltam nomes para ser citados e fazer a reforma administrativa significaria deixar de cumprir o compromisso assumido com muita gente, inclusive, em troca do voto. A influência do senador Mecias de Jesus (PRB) no governo é um claro exemplo disso. Só na CAER ele indicou o presidente e diversas pessoas para ocupar os cargos de chefia, incluindo dois genros. Enquanto a prioridade de Denarium for manter indicados, a Reforma Administrativa jamais sairá do papel.

 

MUDANÇAS

As apostas são grandes para possíveis mudanças que podem ocorrer no cenário político de Roraima. Não é à toa que o Estado segue como se ainda estivesse em período eleitoral, com várias pessoas que apareceram buscando se movimentar, para ganhar visibilidade e abertura com a população, na tentativa de conquistar confiança do público. No que diz respeito à política, o futuro de Roraima é talvez o mais incerto do Brasil, podendo afetar desde senadores, governador e vários deputados que respondem a processos na justiça, a maioria acusada de manter a velha prática da compra de votos. Para muitos eleitos, a continuidade do mandato depende apenas do tempo que se levará para que os processos sejam julgados. Pelo que se diz, poucos têm chances de permanecerem nos cargos.

INTERIOR

A bolsa de apostas para os candidatos a prefeito e vereadores no interior está altíssima. Nos municípios, os pretensos candidatos já seguem uma agenda quase que pré-eleitoral. Para quem está no cargo, as dificuldades enfrentadas com bloqueios de contas, falta de repasses do Governo Estadual e o desafio da migração que afetou praticamente todos os municípios, será muito difícil convencer o eleitor para dar continuidade ao trabalho. O comportamento geral da população tem sido estimulado por uma busca pelo novo, porém, o novo não tem agradado à coletividade e deixar de votar em quem já fez algo para arriscar em quem está prometendo fazer pode ser um risco ainda maior. Para o eleitor, a responsabilidade é muito grande.

COMPORTAMENTO

Apesar de várias campanhas de orientação, a prática da compra de votos ainda é comum em Roraima. Vários dos parlamentares que respondem a processos na justiça e que podem perder seus mandatos são acusados de trocar o voto por benefícios, o que é considerado crime grave pela Justiça Eleitoral. O problema em Roraima é que apesar dos mecanismos legais que existem, a população se acomodou a pedir, condicionando seu poder de decisão e escolha em quem paga mais. Mesmo passado o período eleitoral não faltam pedidos chegando aos políticos e com uma legislação cada vez mais dura, trocar o voto por algum benefício será um grande risco. Que o diga os políticos de Roraima que estão pendurados na Justiça Eleitoral.

ARMAS

Uma das bandeiras defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi flexibilizar as leis que tratam da posse, porte e aquisição de armas e munição no Brasil. Mesmo explicando que essas ideias se baseiam no sentido de permitir que a população tenha o direito de se defender, as opiniões sobre o tema são bem divergentes. O decreto que amplia o direito ao porte de arma não completou nem um mês de vigência e já é alvo de questionamentos do Ministério Público Federal que afirma existir pontos inconstitucionais no documento, portanto, poderá sofrer algum tipo de modificação, alterando a promessa inicial de Bolsonaro.

CONTRA

Nessa terça, o presidente sofreu mais uma ofensiva contra a ampliação do acesso às armas. Depois que a empresa Taurus informou haver uma lista de espera para a aquisição de fuzis produzidos pela empresa, governadores de 13 Estados brasileiros assinaram um documento afirmando ser contra o decreto presidencial. Eles temem que o acesso facilitado gere uma nova onda de violência nos Estados que hoje, tem sua estrutura dos serviços de segurança pública precárias. Importante destacar que o número de governadores que assina o documento é um percentual considerado alto, representando quase a metade das gestões estaduais do país. São muitos para serem simplesmente ignorados pela presidência da república. E o documento apresentado pelos governadores é categórico: eles querem a imediata revogação do decreto. Por essa, o Capitão Bolsonaro com certeza, não esperava. Em tempo: por questões óbvias (é do mesmo partido que o presidente), o governador Antonio Denarium não assinou o pedido.


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