Coluna Roraima Alerta

Opinião: Parlamentares de Roraima e a velha prática de barganhar cargos federais

230519 RR Alerta


BRIGA

Não é de hoje que estão rolando farpas entre os parlamentares da bancada federal de Roraima por conta dos nomes que eles querem indicar para o comando dos órgãos federais que atuam no Estado. Em uma reunião, realizada em abril, até o Ministro da Economia, Paulo Guedes, ficou assustando com tantas exigências feitas por alguns parlamentares de Roraima, especialmente o deputado federal Jhonatan de Jesus (PRB). Em resposta à disputa pela indicação de quem deveria assumir o Incra, o Ministro foi categórico ao afirmar que "se a negociação política continuasse a ser feita com base na ocupação de cargos no governo, todos "iam acabar parando lá no Sérgio Moro". A chamada de atenção foi direta à Jhonatan que não gostou da resposta e quis engrossar a voz contra o Ministro na reunião. Os ânimos foram apaziguados e a bancada voltou ao seu foco inicial para decidir quem iria ficar com o quê.

DOCUMENTO

O Roraima em Tempo teve acesso a um ofício enviado no dia 19 de fevereiro pelo gabinete do senador Mecias de Jesus (PRB) e assinado por outros parlamentares, incluindo seu filho, Jhonatan de Jesus, onde pede ao Ministro-Chefe da Casa Civil que nomeei seu indicado para a coordenação do Dsei-Yanomami. Não seria nenhum espanto para a população essa atitude, mas o que chama atenção neste caso, é que Mecias por algum tempo criticou a indicação da própria pessoa que pede agora para ser colocada no comando do Distrito Yanomami. Ou seja, incoerência total.

VELHA POLÍTICA

Mesmo que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) tenha sido eleito criticando o que chamava de 'velha política', ele segue adotando posturas semelhantes a dos presidentes anteriores: teve que negociar cargos para conseguir manter uma boa relação com o Congresso Nacional. Na pauta prioritária do Governo está a Reforma da Previdência que tem esbarrado em situações como a necessidade de melhoria do texto até falas mais críticas do próprio presidente em relação ao Congresso. O desfio de lidar com senadores e deputados federais é muito grande, por isso, Bolsonaro tem deixado de lado o discurso eleitoral e dado espaço para a negociação de cargos que ele próprio criticou.

EXEMPLO

Um clássico exemplo disso é sua negociação de cargos junto ao senador Chico Rodrigues (DEM), que nomeou no seu gabinete em Brasília, o sobrinho de Bolsonaro, Leo Índio. O assessor recebe um salário bruto de aproximadamente R$ 20 mil por mês. Léo ja fez duas viagens oficiais com despesas pagas pelo Senado Federal, onde se apresenta como interlocutor do governo, coletando informações para ajudar a resolver os problemas das cidades visitadas, ele já fez isso em São Luiz, no Maranhão e em Belo Horizonte. Apesar de estar em um gabinete vinculado ao eleitor de Roraima, ainda não há previsão de que Leo visite o Estado. Uma semana depois da nomeação de Leo, Chico ganhou de presente um cargo para o filho Thiago Henrique Ferreira Rodrigues, nomeado assessor-técnico na coordenação de logística da gerência de logística da EPL, estatal de projetos criada para o trem-bala e mantida pelo presidente. Ao ser questionado sobre o tema, Chico respondeu: "Tenho orgulho de dizer que é um profissional capacitado. Se nossos filhos não puderem trabalhar, que mundo é esse?". Atenção eleitor: Chico representa Roraima, Estado que acumula um dos maiores índice de desemprego do país, e o que ele tem feito para mudar isso? Pois é, Chico... que mundo é esse?

CONTINUA

Chico que é o quarto vice-líder do governo emplacou ainda o médico ortopedista Victor Paracat, na coordenação do Dsei-Leste, mesmo contra a vontade de lideranças indígenas que, por cinco dias, tomaram o prédio do Distrito. Os índios só arredaram o pé depois que Victor aceitou analisar uma lista com o nome de profissionais que eles querem afastar dos cargos. Essa lista não se tornou pública, mas fica evidente que o pedido de Chico vai prejudicar diretamente, muitos pais e mães de família.

FAZ IGUAL

Não é apenas na esfera Federal que Mecias e Jhonatan de Jesus (PRB) tentam emplacar seus apadrinhados. Em Roraima, é o clã Jesus que abocanhou o maior número de indicações na estrutura do governo de Antonio Denarium (PSL). Mecias foi responsável por montar a equipe de primeiro e segundo esclão da CAERR, onde colocou dois dos seus genros, incluindo um que é dono de postos de gasolina. Também abocanhou cargos na CERR e na Codesaima. Brigou pela Secretaria Estadual de Saúde, onde manteve controle na gestão de Suely Campos e, agora pelo que se comenta nos bastidores da política local, foi dele a iniciativa de pedir a cabeça do delegado Márcio Amorim que pediu exoneração da função de Secretário Estadual de Segurança nesta terça (21). Ao que tudo indica, no lugar dele deve assumir um dos mais chegados de Mecias, ampliando ainda mais sua influencia nas decisões do Executivo Estadual.

CONTRA?

Mecias inclusive orientou o seu apadrinhado, James Serrador, presidente da CAER que correu recentemente para Brasília para fazer lobby contra a aprovação da MP 868 que define novo Marco Regulatório do Saneamento Básico no Brasil. Não é nenhuma surpresa, pois Joel está defendendo primeiro seu gordo salário, e de seus assessores, que também são muito bem remunerados, objetivando manter a CAERR sob a tutela do Estado, garantindo a seu padrinho político, Mecias de Jesus, a continuidade das nomeações além de poder comandar uma empresa com autonomia orçamentária e financeira. Não há preocupação em modernizar o sistema, melhorar a prestação dos serviços ou ampliar a cobertura de saneamento básico e abastecimento de água, mas sim, a única preocupação de manter essa estrutura para turbinar campanhas políticas de Mecias e seu filho Deputado Federal Jonathan de Jesus.


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