Coluna Roraima Alerta

Roraima Alerta 04.12.18


SEM EXPLICAÇÃO

Com um ano de atraso, a Casa da Mulher Brasileira foi inaugurada ontem em Boa Vista sob protesto de servidores que estão com salários atrasados. Projetado para amparar as mulheres de várias maneiras e ajudá-las a identificar os diversos tipos de agressão, o espaço, sob a tutela da Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes), levou um ano para ser inaugurado, mesmo já construída com recursos do governo federal. Mais uma demora não explicada pelo governo do Estado que, como em tudo que envolve recursos públicos, principalmente, federais, se torna omisso e dá margem a interpretações que põem cada vez mais em xeque uma administração nada confiável.

 

SEM EXPLICAÇÃO I

A Casa da Mulher Brasileira foi inaugurada pela responsável pela Setrabes, Emília Campos, filha da governadora, que, assim como a mãe, se mostrou impassível diante dos protestos dos servidores que lá estavam. Com as inscrições "O respeito aos servidores começa com seus salários em dia"; "os agentes socioeducativos merecem respeito"; "queremos salário, dignidade, comida, respeito" em cartazes, os trabalhadores esperavam o mínimo de atenção da secretária, mas foram solenemente ignorados.

 

SEM EXPLICAÇÃO II

E a inauguração da Casa ocorreu como se nada estivesse acontecendo, tendo os servidores que ouvir de Emília Campos que o governo tem compromisso em investir em políticas para mulheres, ainda que estas estejam de mãos abanando e sem ter o que colocar nas geladeiras de suas casas porque este mesmo governo não lhes paga os salários. Sem contar que Roraima, segundo dados da Human Rights Watch, é o Estado com o maior número de casos de violência contra mulheres, muitas delas assassinadas por parceiros e ex. Onde estão mesmo as políticas públicas da atual gestão?

 

IGNORANDO OS PROBLEMAS

E os protestos contra o governo do Estado continuam e se espalham pelo interior. Ontem, mulheres de policiais militares bloquearam a entrada do Destacamento da PM em Rorainópolis e retiveram as viaturas. São aproximadamente 50 militares no município que passam pelo mesmo sufoco que colegas de farda de outras cidades. Em Boa Vista, as manifestações já duram 40 dias e nenhum sinal de que as coisas vão ser resolvidas. Ao que tudo indica, Suely resolveu se esconder, ignorar os problemas e conta as horas para o fim de seu mandato, daqui a pouco menos de um mês, torcendo para se livrar dos abacaxis criados por ela e jogá-los na mão do próximo governador.

 

HÁ MAIS TEMPO

E no mesmo barco dos militares, estão os agentes penitenciários que resolveram cruzar os braços na semana passada. Com viaturas paradas em frente à Cadeia Pública, eles cobram salários e mostram cartazes informando "que estão passando fome". Para tentar amenizar o sofrimento, eles, já que não podem contar com a sensibilidade de Suely Campos, tentam a da sociedade e fazem uma campanha para arrecadar alimentos, material de higiene, fraldas e remédios, coisas que não têm conseguido comprar porque estão com os salários atrasados há "apenas" 70 dias.

 

ESPÍRITO NATALINO

Já que não tiveram a mesma sorte de nascer em berço de ouro nem se envolveram em maracutaias em contratos com o governo, os agentes penitenciários buscam, honestamente, ainda que a situação seja vexatória (não por culpa deles), se manter de pé na esperança de que algo de bom ainda possa acontecer este mês, que uma solução seja encontrada para seus problemas, nem que para isso seja preciso torcer para que o espírito de Natal toque o coração de pedra de quem tem a chave dos cofres públicos.

 

RECURSOS DESVIADOS

Enquanto uns se dão mal, outros continuam se dando bem, mesmo sendo alvo de operação da Polícia Federal. É o caso da empresa Qualigourmet, que fornece marmitas para o sistema prisional do Estado e continuará a fazê-lo, segundo o advogado da terceirizada, atendendo a um pedido do Departamento Penitenciário Nacional que, ainda de acordo com ele, solicitou que o contrato continuasse normalmente. Para quem não se lembra, os negócios com (ou da) empresa levaram para trás das grades Guilherme Campos, que é um dos filhos de Suely, dois ex-secretários de Justiça e outras oito pessoas, todos apontados como integrantes de uma organização criminosa envolvida em desvio de recursos públicos que, pelo visto, continuarão sendo direcionados à terceirizada.

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