Coluna Roraima Alerta

Roraima Alerta 06.12.18


TARDA...

E em meio aos protestos de servidores e familiares que ganham força a cada dia e se espalham pelo Estado, eis que a Justiça decidiu, ontem (5), após mais de um mês de manifestações e meses de salários atrasados, determinar que o governo do Estado pague, num prazo de 24 horas, aos policiais militares e agentes penitenciários os meses de outubro e novembro. Caso não seja cumprida, a multa diária de R$ 10 mil ficará por conta de Suely Campos (PP), conforme a decisão judicial. No meio de tanta escuridão (sem trocadilho com a operação da PF), eis que surge uma luz no fim do túnel para milhares de trabalhadores.

 

...MAS NÃO FALHA

Na decisão da Justiça, destaca-se que a governadora foi notificada anteriormente a cumprir um acordo homologado em que se comprometia a pagar, prioritariamente, os gastos com pessoal efetivo, comissionados e terceirizados vinculados à Segurança Pública e aos sistemas prisional e socioeducativo, coisa que ela não fez. E, ainda conforme a determinação, não basta apenas pagar aos servidores, Suely terá de apresentar documento comprovando que o fez. Sem dúvida, trata-se de uma esperança em meio ao "silêncio ensurdecedor" da chefe do Executivo que, diante de tantos protestos, preferiu ignorar os problemas causados por sua má gestão. As próximas horas são cruciais para trabalhadores e também para saber se a mandatária vai continuar desafiando o bom senso e a Justiça.

 

CERCO SE FECHANDO

E no mesmo dia, a 1ª Vara da Fazenda Pública determinou que o Banco do Brasil libere quase R$ 760 mil para pagar uma empresa que presta serviço ao governo. O valor é referente ao fornecimento de combustível para a Polícia Militar de Roraima, suspenso após a falta de pagamento. "A interrupção do fornecimento de combustível para os veículos da Polícia Militar põe em risco a segurança de toda a população, que também está em situação precária", destacou o juiz, informando ainda que a Sefaz deve pagar aos fornecedores e apresentar os comprovantes no prazo de cinco dias. Ao que tudo indica, os tempos de desmando de Suely e sua turma, ainda que tardiamente, estão acabando.

 

'DIGNIDADE FERIDA'

Diante de tantos protestos, entre eles, de mulheres e familiares de militares que têm fechado batalhões em Boa Vista e no interior do Estado, muitos são os relatos de companheiras dos "guerreiros de farda", mas quase não se tem depoimento daqueles que estão na linha de frente para tentar resguardar a população. Mas um deles, sem se identificar, relatou à Coluna o que tem passado e que, com certeza, retrata a situação de todos os seus colegas neste momento de crise sem fim. De acordo com o militar, eles estão "trabalhando com a moral baixa e a dignidade ferida".

 

'DIGNIDADE FERIDA' I

Segue o relato do militar: "Eu já tenho três contas de luz em atraso. Certo dia, falei com uma funcionária da Eletrobras e ela disse que eles [a empresa] podem cortar a energia e somente depois que eu posso recorrer, provar que sou funcionário estadual e que estou com salário atrasado. Muita sacanagem. E outra, como vamos fazer se a Justiça começar a expedir mandados de busca e apreensão de veículos? Só lembrando que esses atrasos de contas na maioria não são culpa nossa e, sim, desse governo que nos envergonha e atrasou [os salários]. Já não sabemos mais o que fazer". Eis aí mais um retrato pintado por uma administração desastrosa.

 

POBRES DE ESPÍRITO

Nessa quarta (5), o IBGE divulgou dados sobre as pessoas que vivem em situação de pobreza no Brasil. A taxa em Roraima revela que 36,1% da população se encaixa nessa faixa. Tudo isso agravado pela crise pela qual passa o Estado nos estertores do governo atual. Se já éramos pobres, ficamos mais ainda, graças a uns poucos que depenaram os cofres públicos e fizeram farra até mesmo com recursos da merenda escolar, como mostrado pela Polícia Federal. Se a economia de Roraima se mantinha, em boa parte, com o contracheque dos servidores estaduais, nos últimos meses tornou-se impossível fazer tal alusão dadas as atuais circunstâncias. Uma verdadeira vergonha nacional, não pelos pobres de recursos, mas pelos de espírito que dilapidaram o Estado.

 

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