Dória, Suely, Trump e Teresa

ULISSES MORONI*

Sim, o título diz respeito a João Dória, Suely Campos, Donald Trump e Teresa Surita, que, respectivamente foram prefeito de São Paulo; governadora de Roraima; presidente dos Estados Unidos; e, por último, prefeita de Boa Vista. Mas, o que essas quatro pessoas podem ter em comum? A resposta é simples: todos são o resultado de uma equação, a de que o eleitorado, considerado uma entidade individual, decide com independência. E que não se vincula a pressões majoritárias da imprensa ‘politicamente correta’, ao poder econômico, a ideologias ou à cultura do assistencialismo.

Dória foi eleito já no primeiro turno não só com os votos dos mais abastados, mas também com o dos eleitores das periferias. Ou seja, o mais carente mostrou que não vota apenas naquele que se diz mais carente e nem em propostas assistencialistas. Dória foi transparente na campanha ao propor, se eleito, o máximo de privatização e garantir o corte de gastos públicos, exatamente o que o eleitor paulistano queria ouvir.

Quase a unanimidade da imprensa americana satanizou Trump na campanha eleitoral. Todas as tendências do “politicamente correto” apontavam nele seu antagonista. Numa conversa privada, gravada, Trump dizia que, digamos, ‘gostava de mulher’. Foi crucificado por ter feito uma afirmação machista. O candidato Justificou que a gravação foi feita num momento de privacidade, uma ‘conversa de vestiário’, como disse. Mas embora tenha perdido no voto popular, foi eleito pela maioria dos delegados, indicando aos que se dizem politicamente corretos que devem questionar se estão em sintonia com a maioria.

Suely foi eleita em 2014 contra o racionalmente previsível. Enfrentou um candidato que era governo. No entanto, não conseguiu coligações partidárias significativas o que, no sistema brasileiro, é um enorme obstáculo. Nem mesmo era ela a candidata original. Quem encabeçava a chapa era Neudo Campos. Quando este teve o registro de candidatura negado, já perto do pleito, Suely passou a ser candidata. A maioria da então elite política local não a apoiou e a força econômica das outras candidaturas era muito superior. Entretanto o eleitor, mostrando ser ele quem decide, e conforme seus motivos, a elegeu.

“Os resultados das eleições em São Paulo, Roraima, Estados Unidos e Boa Vista mostraram que, o eleitor, acima de bons discursos, das pequenas vantagens individuais ou da satisfação com sentimentos pouco produtivos, deseja, sim, uma boa administração do lugar onde vive. Assim, estas quatro situações mostram que o eleitor decide sim com racionalidade e independência”.

Teresa foi reeleita com destacados 80% dos votos e já no primeiro turno. Como terminava um mandato, teve sua administração julgada. O eleitor mostrou que, acima de bons discursos, das pequenas vantagens individuais ou da satisfação com sentimentos pouco produtivos, deseja, sim, uma boa administração do lugar onde vive. Assim, ela recebeu os votos de homens e mulheres, que não se importam com o gênero do candidato, mas sim com a sua competência.

Estas quatro situações mostram que o eleitor decide seu voto com racionalidade e independência. Portanto, nesse contexto, as eleições gerais brasileiras de 2018 se mostram algo bastante imprevisível.

*O autor é promotor de Justiça do Estado de Roraima há 18 anos. Nas horas que sobram, pratica a Literatura Brasileira e emite opiniões sobre o mundo. ulissesmjr@uol.com.br