Editorial

A esquerda já sabe que Inês é morta


Aos menos dados à compreensão da "última flor do Lácio", como Camões chamou a Língua Portuguesa, "Inês é morta" é uma expressão do idioma luso e significa "não adianta mais". Hoje em dia, a frase é usada para expressar a inutilidade de certas ações. Muitas vezes, esta expressão completa é "Agora é tarde, Inês é morta", o que indica que é tarde demais para tomar alguma atitude a respeito de algo.

É bem verdade que a partir de 1º de janeiro o Brasil entra num túnel escuro levando apenas a esperança de que, sem extremismo, possa encontrar uma luz para seu futuro. Que não existiria igualmente se os brasileiros aceitassem como garantia da plenitude democrática a minoria que aparelhou o Judiciário, inflou o Executivo com 21 mil "boquinhocratas", incendiou o campo com as invasões selvagens do MST, corrompeu o Congresso Nacional com o mensalão e, honesto como ninguém, assaltou a Petrobrás com o petrolão.

Desmoralizada por seu comportamento corrupto na administração pública, a esquerda continua insistindo em pôr na cabeça do povo que a multiplicação de declarações contra Bolsonaro indica o reconhecimento dos riscos que sua vitória representa para a democracia. O que, convenhamos, também é verdade, pois, realmente, Bolsonaro nunca foi tomar aulas de ternura democrática com Fidel Castro, Hugo Chávez, Nicolás Maduro, Kim Jong-un etc.

Por fim, a esquerda diz que a vitória de Bolsonaro significa risco de uma ditadura, enquanto o PT seria o bastião da liberdade. Esqueceu-se de dizer que o programa de governo petista prega o controle da Polícia Federal, do Ministério Público, do Itamaraty, da imprensa e até das Forças Armadas. Ou seja, continua se espelhando em ditaduras sanguinárias, como as de Venezuela e Cuba. Felizmente, ou infelizmente, pois só o futuro dirá, Inês é morta.