Editorial

A opção é clara


Causou intempestiva indignação o inflamado vídeo do deputado Eduardo Bolsonaro, do PSL, que já se retratou. O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello, retrucou com pesados adjetivos. Entretanto, se a Justiça não deve pender para nenhum lado, não há registro de igual atitude acerca do vídeo do deputado Wadih Damous (PT), ofendendo o ministro Luiz Roberto Barroso e pregando o fechamento da Corte Suprema etc. Por que o silêncio? Não se sabe de nenhuma retratação desse parlamentar.

Que o deputado federal filho de Jair Bolsonaro falou uma idiotice, isso não se discute. O repúdio foi generalizado e mereceu justas manifestações desde a OAB até ministros do STF. Celso de Mello classificou a afirmação como "inconsequente e golpista", e o presidente da Corte, Dias Toffoli, falou em "atentado à democracia". Nada sobre Damous e suas frases "tem que fechar o Supremo Tribunal Federal (...) ou nós enquadramos essa turma, ou essa turma vai enterrar de vez a democracia brasileira".

Afinal, pergunta-se, seria temerário imaginar complacência com Damous apenas por ele ser vice-líder do PT na Câmara, haver presidido a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB e, atualmente, integrar a imensa tropa de advogados de Lula da Silva?

Se a esquerda pensa que esse pronunciamento idiota terá alguma consequência nas intenções de voto neste domingo, está redondamente enganada. Bem ou mal, e há riscos de que Bolsonaro possa ser, sim, um mal para o Brasil e para a democracia e o Estado de Direito, a última palavra será do eleitor. E pelo andar da carruagem, ele já decidiu sepultar de vez Lula e os petralhas, extinguindo-os do momento político que atravessa a Nação brasileira.