Editorial

As consequências de um estelionato eleitoral


Afeito a dar desculpas esfarrapadas das mais diversas para acobertar as próprias incompetência administrativa e irresponsabilidade, o governo não se cansa de jogar nas costas de terceiros a culpa pela debacle por que passa Roraima há quase quatro anos.

Suely Campos (PP), derrotada na tentativa de se reeleger, começou sua gestão culpando a administração anterior que, segundo ela, ao deixar um rombo milionário como herança, inviabilizou seu governo. Essa foi a ladainha durante todo o seu mandato, que chega ao fim da mesma maneira que se iniciou.

E mais: quem quer seja eleito em 28 de outubro, certamente vai receber um Estado pior do que estava em 2014/2015. Não à toa o resultado desse desgoverno se refletiu nas urnas, colocando-a num vexaminoso terceiro lugar.

Alvo constante de protestos de diversas categorias, principalmente por atrasos frequentes no pagamento de salários, o governo, como de praxe, assim como é afeito a dar desculpas fajutas para variados problemas, também é acostumado a se calar diante dos questionamentos feitos por segmentos da sociedade diretamente afetados pelos reiterados calotes. Alguns servidores estão há mais de 80 dias sem receber e não sabem quando (e se) a situação será resolvida ainda nesta gestão.

Circula pelas redes sociais que o governo reafirma que bloqueios judiciais o têm impedido de honrar compromissos como a folha de pagamento dos servidores e que apenas 30% dela seriam pagos. Eles temem ainda que, diante das circunstâncias e se comprovadas tais informações, haja o parcelamento dos salários, já atrasados, sabe-se lá em quantas vezes.

Sem dúvida, trata-se de um das piores administrações que Roraima já teve. Não apenas pela inépcia, mas, muito mais, pela inaptidão de Suely para o cargo e a incapacidade de diálogo e a humildade para assumir os próprios erros. Seu governo finda insignificante da mesma maneira que começou, mas com o agravante de prejudicar milhares de trabalhadores vítimas de um perfeito estelionato eleitoral.


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