Editorial

As hidrelétricas da Amazônia


José Goldemberg, físico brasileiro respeitado mundialmente, analisou os prós e contra nas construções de hidrelétricas na Amazônia. Sem discordar das demoras nas decisões dos órgãos governamentais, o que mais se estranha é o pouco potencial da energia fotovoltaica que ele leva em conta nas suas observações.

Segundo o Atlas Brasileiro de Energia Solar, o astro-rei faz incidir diariamente entre 4.444 Wh/m² a 5.483 Wh/m² no País. Estes dados dão uma ideia do potencial da energia fotovoltaica no Brasil. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ampliou as possibilidades da geração dessa energia com a introdução do Sistema de Compensação de Energia, que permite a conexão de sistemas fotovoltaicos à rede de distribuição. Isso transforma cada uma das residências em potenciais fornecedores de energia elétrica, através da energia solar.

Em termos de custo/benefício, as hidrelétricas na Amazônia, que é no geral uma vasta planície, implicarão a derrubada de milhares de árvores, que são responsáveis pelas chuvas que irrigam as fazendas do Sudeste e do Centro-Oeste. A este fator somam-se as extensas linhas de transmissão necessárias para levar a energia elétrica aos centros consumidores.

Há de levar em consideração, ainda, a destinação da fauna e o deslocamento dos habitantes da região, não sendo válido comparar a área derrubada ilegalmente com as áreas a serem alagadas oficialmente. Ambas devem ser evitadas, pois já se derrubaram árvores demais. Então, não é uma questão de ser ou não um ambientalista, mas, apenas, de entender que as decisões governamentais devem se orientar sempre pela relação custo/benefício, incluindo aí a preservação do meio ambiente, pois a qualidade de vida da sociedade depende dessa premissa.