Editorial

Bolsonaro, o PT e o subterrâneo da internet


Mais uma vez, o PT pretende manter o País refém de suas manobras ao lançar dúvidas sobre o processo eleitoral. É o que se depreende do "plano B" deflagrado pela presidente do partido, Gleisi Hoffmann, ao acusar na tribuna do Senado o líder das pesquisas também no 2º turno, Jair Bolsonaro (PSL) de fazer campanha se utilizando de recursos de organizações estrangeiras que atuam no "subterrâneo da internet para produzir e manipular mentiras" com o objetivo de vencer a eleição presidencial de forma fraudulenta.

Como bem analisou em editorial o jornal "O Estado de São Paulo", essa reação demonstra puro desespero pela derrota que se apresenta que parece irreversível.  A estratégia é fazer a narrativa da "fraude eleitoral" se juntar ao esforço para que o partido se apresente ao eleitorado - e, mais do que isso, à História - como o único que defendeu a democracia e resistiu à escalada autoritária supostamente representada por Bolsonaro.

Afinal, como é que uma frente política pode ser democrática tendo à testa o PT, partido que pretendia eternizar-se no poder por meio da corrupção e da demagogia? Tudo isso reafirma, como se ainda fosse necessário, a natureza profundamente autoritária de um partido que não admite oposição, pois se julga dono da verdade e exclusivo intérprete das demandas populares. O clima eleitoral, que já está extremamente polarizado, não pode ser ainda mais radicalizado com o lançamento de dúvidas sobre a lisura do pleito e da já plausível vitória de Bolsonaro.

Nenhuma surpresa, como diz o editorial do "Estadão": afinal, o PT sempre se fortaleceu na discórdia, sem jamais reconhecer a legitimidade dos oponentes - prepotência que se manifesta agora na presunção de que milhões de eleitores incautos só votaram no adversário do PT porque, ora vejam, foram manipulados fraudulentamente pelo "subterrâneo da internet".


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