Editorial

Crimes cibernéticos, a hidra dos novos tempos


O efeito imediato da ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para investigar o disparo de mensagens por empresas em favor de Bolsonaro e da ação da PGR determinando à Polícia Federal apurar as notícias falsas em período eleitoral foi a sensível redução dos disparos e fake news em favor do candidato do PSL.

Ficou claro que um novo poder "se alevanta", mas as "antigas musas" terão de rever o que é e como cantam. O povo tem o poder de influenciar, produzir mensagens e filmetes com facilidade em seus tablets e smartphones. Além desta forma anárquica e rápida de fazer política, surge neste meio incontrolado de comunicação muito rápida o seu uso como ferramenta paralela de grupos que utilizam os chamados robôs. Contudo, o que realmente dá vida e capacidade de retransmissão são a graça e a criatividade das mensagens, por um lado, e a aparência de notícia real, de outro. Aí entrará a imprensa dita tradicional, que na verdade terá de ser modificada ou acrescida de forma definitiva de um setor de análise rápida e consistente sobre o que surja na comunicação paralela. Definitiva, porque deve ir além das eleições.

Os boatos, hoje fake news, que nos tempos de antanho eram chamados de "imprensa marrom", devem ser prontamente analisados e respondidos, tanto para o público em geral quanto para os colaboradores que lhes enviam as mensagens. Este último aspecto é usar o retorno a quem ajudou a desvendar a veracidade como meio de "espalhar" o que realmente aconteceu ou acontece. São exigências desse novo tempo.

Portanto, antes que essas novas "musas" da comunicação virtual acabem ganhando o corpo de uma hidra, o monstro de sete cabeças encontrado na mitologia grega, que tratem de cortar o mal pela raiz.