Editorial

Decisões do STF devem valer para todos


Na recente sentença do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu decisões da Justiça Eleitoral sobre a proibição de manifestação ideológica nas universidades, a ministra Cármen Lúcia ressaltou a importância da "liberdade de expressão" e do "pluralismo de ideias" numa democracia. Ocorre que - intencionalmente ou não - a ministra foi omissa ao silenciar sobre o significado de "pluralismo de ideias" e que a decisão se aplica a todas as correntes de pensamento, obrigando a todos (inclusive alunos e professores) o cumprimento de sua decisão.

Até as pedras dos rios sabem que as universidades transformaram-se em refúgios de esquerdopatas, radicais que apelam para a histeria e a violência quando são contrariados em suas ideias. É exatamente o que ocorreu na Universidade de Brasília (UnB), quando manifestantes favoráveis ao presidente eleito foram expulsos pelos "democráticos" alunos universitários daquela instituição.

Os professores devem e podem ter autonomia para ensinar seus alunos conforme manda sua consciência, mas desde que não ajam à margem da lei, da ética e do bom senso. Doutrinar a juventude para que se entregue a ideologias de esquerda ou de direita é algo inconcebível e condenável numa instituição de ensino. Assim como a palavra, veículo da expressão da livre opinião, o pensamento também tem que ser livre. É assim que se formam cidadãos de caráter.

O Poder Judiciário, em alguns casos, reage com retórica longa, indignada e desproporcional ao fato. Um exemplo, entre vários, é a leniência quanto a permitir manifestações políticas comunistas em universidade públicas sob o contraditório pretexto da liberdade de expressão, o que não resiste ao bom senso. Afinal, a lei não vale só para uns, deve valer para todos.