Editorial

É hora de catar os cacos


A população acordou nesta segunda-feira de uma longa ressaca que nem chá de boldo conseguiria curar. Agora, com a sobriedade de volta, cabe aceitar o novo governo e, afastadas as disputas ideológicas, unir esforços para que o amanhã seja pelo menos um pouco melhor que o ontem.

O mesmo vale para Roraima. O Palácio Hélio Campos, que hospedou gente que nem sequer merece passar em frente, requer faxina geral. Há um orçamento a ser administrado e setores estratégicos, como educação, saúde e segurança, que viveram estes últimos quatro anos em  estado terminal, podem sim ser recuperados. Como? Com uma boa gestão. O que, entretanto, vai depender de vários fatores que permeiam o entendimento político entre os Poderes.

Lamentavelmente, já se sabe que o Palácio Antônio Martins foi contaminado pelo vírus da intolerância, com sequelas graves, como falta de seriedade, de civilidade e de respeito aos adversários. Mal este que, cegando os olhos, entorpeceu a mente de quem deveria ter, no mínimo, o equilíbrio necessário para chefiar um Poder. Alguém que, pela torpeza de seus atos, nem sequer merece ter seu nome escrito nestas linhas.

Como disse certa vez o filósofo popular Joãozinho Mello, lendária figura folclórica da política roraimense, o grande mal de todo ser humano é não saber respeitar seus limites, pois afinal o direito de um começa onde termina o direito de outrem. Pessoas que veem o poder cair em suas mãos e acham que tudo podem. Se pelo menos esse "tudo podem" fosse usado para o bem, até que se entenderia sua usurpação. O problema é que, sem estatura moral e sem estrutura ética, sempre há os que, com o poder nas mãos e dominados pelo ódio, espezinham a dignidade e a jogam no monturo. É isso o que os roraimenses mais temem: o Estado jogado de novo na lata do lixo.