Editorial

Não podemos sucumbir


Convivemos hoje com sérios problemas trazidos pela leva de refugiados venezuelanos. Independentemente da vontade de ajudá-los, a realidade é que não temos como fazê-lo. Não há espaço nem recursos suficientes para darmos a todos - brasileiros e venezuelanos - condições iguais dignas de subsistência. Mesmo remanejá-los para Estados de melhor situação financeira não resolve o problema, pois temos milhões de brasileiros desempregados ou sobrevivendo a duras penas no subemprego.

Portanto, apesar de todos os esforços, as medidas tomadas até aqui são um mero paliativo, não uma solução, seguindo as ideias de Joaquim Nabuco, que na verdade são atingidas pelo preço da procrastinação. Logo no seu início, assim que tão logo foi às mãos de seus leitores, este jornal alertou, aqui mesmo neste espaço, em editorial sobre o tema, que Roraima estava com o seu futuro comprometido. Isso porque, à medida que ia se agravando a crise, o chavismo, em nome de um bolivarianismo sem bases filosóficas e sem sentido prático, fazia tudo para agudizar a situação econômica, social e política da Venezuela a cada desmando emanado do Palácio Miraflores, em Caracas.

Como se diz no vocabulário popular, "o pouco serve hoje, o muito amanhã não basta". Embora tenham sido usadas como referência à urgente e necessária reforma da Previdência, essas palavras podem ser também aqui aplicadas, fechando-se as fronteiras do País. Argumenta-se que isso é contra a lei da imigração, que interfere para a aplicação do bom senso. Ora, se uma lei não atende mais às necessidades na mudança de conjuntura de uma sociedade, é simples: muda-se a lei! O que não podemos é sucumbir à inércia da incompetência do país vizinho e à nossa própria.

 


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