Editorial

Professores roraimenses, o que já foram e o que são


Os que ainda combatem os fantasmas do militarismo têm muitas razões para não depor as armas. No entanto, gente que vive hoje nesta parte do território brasileiro guarda na lembrança não a violência com que tanques e baionetas maltrataram milhões de pessoas, mas a valorização do seu trabalho.

Neste pedaço do Brasil ficaram fincadas marcas positivas do regime implantado em abril de 1964 do século passado fazem parte da história Roraima. Sem dúvida, é com espanto que esta terra é vista por milhares de visitantes, que ao chegar aqui se surpreendem ao encontrar uma cidade como Boa Vista, superior em qualidade de vida a muitas capitais estaduais.

Pois os que ainda se lembram daqueles tempos distantes, embora passados apenas 30 anos do fim da ditadura, são testemunhas de que muito restou de bom. Como a infraestrutura, obra de governadores generais e coronéis, e principalmente, um funcionalismo que teve, durante a vida de Roraima como território, uma grande valorização. Mesmo porque era preciso pagar bem para trazer gente competente de tão longe para vir morar e trabalhar em uma região tão inóspita, Tão distante que ficava no fim do Brasil, como diziam os que viam o extremo-norte de lá para cá. Todavia, o começo do território nacional para quem aqui sempre teve orgulho de viver.

Uma das categorias que mais foi valorizada nesse período do território foi o magistério. Até a criação do Estado, em 5 de outubro de 1988, e mesmo até sua implantação, em 1º de janeiro de 1991, o salário de professor em Roraima era o mais alto do País. Por isso, muitos dos mestres daquela época choram lágrimas de tristeza pela situação de abandono a que os educadores foram atirados pelo governo do Estado. Lamentos que se perdem no lavrado, sem ressoo e sem resposta, pois são apenas o eco da saudade que resta do tempo dos militares.