Editorial

Uma nova ideia para melhorar o ensino


A história recente tem mostrado que qualquer medida planejada para melhorar as condições de ensino, ela não sobreviverá caso não atenda interesses coorporativos. Quando o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) teve início, em 2004, seu propósito não era avaliar instituições de ensino, mas, sim, universitários concluindo sua formação. O objetivo básico era obter, para cada desempenho, uma nota que seria afixada ao diploma, servindo a futuros empregadores com informações significativas.

Não vingou. As organizações corporativas estudantis fizeram um violento protesto, razão pela qual o governo da época alterou a função para apenas uma avaliação de instituições, julgadas pelo resultado coletivo de cada qual. Embora obrigatório, os estudantes não viram nenhum benefício individual no exame.

Sabe-se, e isso é amplamente reconhecido, que há instituições se prevalecendo da rotatividade anual dos cursos submetidos a exame para manipular os resultados a seu favor, tornando-os, pois, questionáveis. Nos primeiros anos, os alunos de ensino a distância (EAD) - cuja idade ultrapassava em cerca de dez anos a dos presenciais -, consistentemente, obtiveram resultados superiores aos do presencial. Agora, quando as faixas etárias se equivalem, as consequências do ensino médio inadequado se revelam.

Se a educação a distância no ensino médio já se provou bem-sucedida com adultos, via TV e nos telecursos, uma aposta se renova: a internet usada por crianças (cujos idade e nível de educação sejam compatíveis com esse grau) promete ser uma experiência viável. Isso desde que de forma não obrigatória com cursos inteiros, e ainda mais com o enriquecimento da compreensão de matérias complexas por meio de "objetos de aprendizagem" nos espaços virtuais da web, sob orientação dos professores. Uma grande idéia. Mais uma. Será que vinga?


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