Editorial

Virou avacalhação geral


O que se está assistindo em termos de transgressões à legislação em vigor é inédito, mas já virou uma avacalhação geral. Um exemplo é a liberdade que o ex-presidente Lula vem tendo para comandar a política nacional do interior da sua cela. Duvidam? Então, por que o candidato à Presidência da República de seu partido se dirige a todo instante a Curitiba para receber as instruções do ex-presidente, líder inconteste do PT?

Ora, até onde se sabe, Lula está preso por ter sido condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Então, ele teria direito a visitas de acordo com as regras estabelecidas para todos os presos. Portanto, o candidato Fernando Haddad visitá-lo ao seu bel-prazer já é um ilícito, agravado pelo fato de que para ali se dirige a fim de receber instruções sobre a campanha eleitoral.

Dia 28, a população terá de escolher entre um deputado federal que não prima pelo comedimento em suas palavras e ações, e com várias fobias, e um candidato real que se encontra preso por ter sido julgado e condenado por corrupção e concorre representado por um preposto seu. Em seu socorro, parte da imprensa condena o juiz Sergio Moro por ter liberado trechos da deleção premiada de Antônio Palocci, na semana que antecedeu a eleição, acusando o ex-presidente de chefe da quadrilha que assaltou o erário.

Ora, por qual motivo o juiz deveria aguardar a eleição para liberar um depoimento, que estava sob segredo de Justiça, por interesse do Judiciário e não por outro motivo qualquer? Se tal depoimento interferir na escolha do preposto do ex-presidente, será pelos crimes cometidos por ele e não por interferência de quem quer que seja. Caso contrário, seria demais um juiz se calar só para não atrapalhar o réu na sua avacalhada tentativa de continuar a influir no destino do País.