Em Tempo de Arte

Jovem, poeta e cheio de sonhos: conheça o roraimense Neto Freitas

Com apenas 22 anos, Neto já lançou dois livros de poesia

Créditos: BRUNA MENEZES E GABRIELA MARCONDES

Caro leitor,

Ressaltamos que este espaço está aberto para vocês que desejam mostrar um pouco mais da arte que Roraima tem a oferecer.

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Com carinho, Bru e Gabi.

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Jovem, poeta e cheio de sonhos: conheça o roraimense Neto Freitas

 

Arquivo pessoal

Com apenas 22 anos, Neto já lançou dois livros de poesia

 

São as pequenas oscilações da vida que inspiram o jovem Neto Freitas a escrever suas poesias, uma das onze artes. Ele já tem dois livros lançados e o mais interessante disso é que os exemplares são feitos à mão, pelo próprio artista de 22 anos.

Quase semanalmente ele produz novas unidades das obras "POEMAS Sociais, Regionais e Banais" de 2017 e "RESISTIRMOS" lançado em 2018.

O amor pela arte vem de longo tempo. "Sempre tesão ao ler um bom livro, uma boa história, como a ver um bom filme. Também escuto muita música. São artes que eu admiro bastante", revelou.

Aos 12, ainda muito novo, Neto se reconheceu como poeta. "Isso ocorreu quando me deparei com um caderno recheado de palavras dançantes, no qual eu havia, inconscientemente, depositado todos os meus anseios, alegrias, paixões, saudades e medos. A partir daí, passei a investir em mais cadernos e a guardar conscientemente meus escritos", relembrou.

Como ele gosta de brincar, Neto é "minhoca desta terra": nasceu em Boa Vista, cresceu na Capital e hoje cursa o sexto período de Letras/Literatura na Universidade Federal de Roraima (UFRR).

Os planos é continuar produzindo anualmente. "No próximo projeto artesanal pretendo apresentar aos meus leitores um livro de contos curtos que venho produzindo. Porém, não deixarei de produzir no gênero poesia", garantiu.

Para Neto, a poesia é uma arte mais que especial: "É a única arte que se manifesta em todas as artes, através de formas diferentes", espeficiou.

 

 

Arquivo Pessoal

 

DESPENCAR

(Resistirmos, 2018)

 

A miséria reverbera

Nos quatro cantos do mundo

A saudade moça donzela

Arruinou na passarela

Os raios de uma quimera

Que transpassava o abstrato da dor

Do ser emanando o amor

Que tinha como pulsar do coração

A sonora do estalar

Do açoite opressor

[escoando do seu cérebro, limitado, conturbado, atrelado, amassado, cortado]

 

Isso que reverbera

Nos quatro cantos do mundo

Pobre Diabo matuto

Teve fé num Deus injusto

Pobre velho fatigado

Com a caneta na mão

Já não tem coordenação

Para assinar seu nome próprio

E agora?

 

O silêncio seguirá

Na memória

E no amanhecer das horas

Ouvirás o que te digo

Pobre ser da miséria

Agricultor das quimeras

Bicho

Guiado à vela

Que habita os quatro cantos do mundo

Sei que tu desconsidera

Muros

Logo seria injúria pensar

Em não sentir necessidade

De unir sentimentos bons

A miséria que apela e se esconde

Nos pilares de prumo.

 

 


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