Esporte

Faculdade que pediu penhora da taça agora quer parceria com o Corinthians

Universidade cobra dívida do clube, no valor de R$ 2,48 milhões, há dez anos


- Daniel Augusto Jr/ Agência Corinthians

Alguns minutos depois de Andrés Sanchez expor à imprensa toda sua irritação com a penhora da taça do Mundial de Clubes conquistada pelo Corinthians em 2012 por causa de uma dívida com o Instituto Santanense de Ensino Superior, a direção da faculdade pediu para que a situação fosse melhor esclarecida, talvez por receio de que a imagem da UniSant'Anna acabasse prejudicada em meio a todo esse imbróglio jurídico.

Por isso, surpreendentemente, os jornalistas que estavam no CT Joaquim Grava acompanhando o treinamento da equipe de Jair Ventura foram convocados para um pronunciamento de Luis Paulo Rosemberg na sala de imprensa.

"O Andrés me pediu para dar continuidade, receber voluntariamente dirigentes da UniSant'Anna, para constar estado dos fatos", iniciou o diretor de marketing corintiano.

"Vamos recuperar um pouco da história, a UniSant'Anna entrou ainda na gestão (Alberto) Dualib, onde houve um entrevero. A Universidade foi buscar seus direitos, nesse processo ela teve problemas financeiros, encontrou um grupo sólido, representado aqui pelo Paulo Linhares, que adquiriu a Universidade, para a recolocar entre as grandes, enquanto seguia o processo jurídico iniciado pelos outros gestores. Procuraram o Corinthians dizendo que o intuito era crescer em São Paulo, ter uma participação importante na Zona Leste e que via com bons olhos a associação da marca com o Corinthians", disse.

"Enquanto isso prosseguia, como os ritos jurídicos tem seus tempos e suas normas próprias, justamente agora, que nós estamos às vésperas de um entendimento vantajoso para o Corinthians, para a Universidade e principalmente para os alunos, tivemos isso.

Eles pediram para vir aqui, esclarecer, dizer a posição dos atuais administradores e dizer para o corintiano que não há nenhuma intenção de se valer do símbolo do Corinthians para se valer de qualquer coisa", completou Rosemberg, que não perdeu a chance de provocar os rivais antes de seu encerramento.

"Infelizmente, tenho de dizer aos clubes que não tem mundial que não vão mais poder fazer lances na nossa taça".

Paulo Linhares, pró-reitor administrativo da UniSant'Anna, também falou rapidamente e tentou explicar o caso, apesar de também não aceitar perguntas dos jornalistas.

"A Universidade está sob uma nova direção e nosso foco é trabalhar pela educação. Assim que assumimos começamos a fazer acordos, e um que estamos tratando como prioridade é com o Corinthians. Tivemos uma excelente reunião, daqui para frente vai ser uma nova história da UniSant'Anna. Não tivemos em nenhum momento o intuito de desrespeitar o Corinthians. Essa questão jurídica, agora vamos cuidar não de remoer o passado, mas sim tranquilizar a todos e dizer que daqui para frente esperamos uma nova história".

Em nenhum momento, porém, Luis Paulo Rosemberg e Paulo Linhares deixaram claro se a questão do pagamento de R$ 2,48 milhões, que Sanchez prometeu arcar em até 48 horas, será revista, ou se essa nova relação construída com os administradores recém-empossados do Instituto servirá para uma solução mais amigável.

Entenda o caso

Dez anos atrás, a faculdade processou o Corinthians, alegando que clube dificultava o acesso a alunos e funcionários a um campus que funcionava no Parque São Jorge. Em 2010, na primeira decisão sobre o caso, o Corinthians foi condenado a indenizar a instituição. Como essa dívida nunca foi paga, o Instituto Santanense continuou insistindo.

Em agosto deste ano, o Instituto Santanense tentou - sem sucesso - bloquear uma parte do dinheuro que o Corinthians receberia pela venda de Rodriguinho ao Pyramids FC, do Egito. No mês passado, o mesmo juiz Luis Fernando Nardelli determinou o bloqueio de parte da premiação a que o clube teria direito por ter sido vice campeão da Copa do Brasil.

Na época, o Corinthians admitiu ter uma dívida com a faculdade, mas alegou que "o valor ainda se encontra em discussão judicial". Sem ter conseguido receber o dinheiro, a instituição então pediu a penhora da taça do Mundial. E o juiz aceitou.

Sem acordo

Corinthians e Instituto Santanense tentavam acertar a dívida numa negociação fora dos tribunais, mas isso não irá mais ocorrer.

Desde a semana passada, o processo tem uma nova parte interessada: a Prefeitura de São Paulo, que tem R$ 1.634.887,68 a receber do Instituto Santanense por impostos não pagos.

A Procuradoria do Município pediu ao juiz do caso que tanto o Instituto Santanense quanto o Corinthians sejam impedidos de realizar qualquer acordo sobre a dívida fora do processo. O juiz determinou que o clube e o Instituto se manifestem sobre o pedido.