Fiocruz ensina tecnologia da informação a jovens de comunidades violentas

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Formatura de estudantes das comunidades de Manguinhos, na zona norte do Rio, que cursaram o Laboratório Internet, Saúde e Sociedade, projeto social da Escola Nacional de Saúde Pública

A violência que assola a região de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro, ficou em segundo plano na tarde desta terça-feira (16) quando 16 estudantes de dois colégios estaduais da região receberam seus diplomas de conclusão do curso Desenvolvimento de Competências Profissionais para o Século 21, na Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz. Nem os disparos de fuzis ouvidos durante a cerimônia ofuscaram a emoção dos formandos, testemunhada por dezenas de colegas e parentes no salão do edifício.

As técnicas e ferramentas multimídias aprendidas no curso foram colocadas em prática nos trabalhos finais e alguns foram apresentados na formatura. Os eixos norteadores da formação foram autonomia, criatividade e resiliência.

A estudante Milena Pereira, de 16 anos, foi a oradora de uma das turmas. “Não foi apenas um curso, foi um despertar para o tão sonhado futuro. Uma das lições mais importantes que aprendemos é que devemos ter autonomia para fazer n ossas escolhas e a cada decisão tomada podemos colocar em prática o que aprendemos no curso”, disse a formanda.

Moradora da Vila do João, a estudante Alexsandra Barros de Araújo, de 16 anos, contou que por causa do curso da Fiocruz conseguiu um estágio e está utilizando as ferramentas que aprendeu no atual trabalho. “Aprendi coisas que nunca pensei que aprenderia, ferramentas para o dia a dia e para o trabalho, foi uma experiência muito bacana, o espaço, as amizades, os professores, nos tornamos uma família.”

A avó de Alexsandra, Dulcineia Alves de Araújo, de 69 anos, participou da cerimônia e se emocionou em vários momentos. “Fui eu quem a criei e hoje me sinto orgulhosa de vê-la se esforçando, lutando, para mim é um privilégio e fico feliz”, disse. “É um projeto muito interessante que incentiva eles para o dia de amanhã.”

Violência

A iniciativa surgiu em 2015, quando o diretor da ENSP, Hermano Castro, decidiu incentivar um projeto de educação e inclusão social voltado para os jovens de Manguinhos após mais um caso de violência na região, a morte do adolescente Christian Andrade, de13 anos. Em seu discurso na formatura de hoje, Castro lamentou que mortes de jovens continuem ocorrendo nas comunidades.

“O que estamos fazendo aqui é apenas dar um empurrãozinho. Depende de vocês o nosso futuro. Parabéns a todos ao que se formaram aqui, que se dedicam na escola, em casa, a uma vida melhor, e que brigam por isso”, disse.

Flávia Villela
Agência Brasil