Impunidade e conveniência

WALBER GONÇALVES DE SOUZA*

Sem sombra de dúvidas algumas conquistas humanas são espetaculares e devem ser irreversíveis. Por mais que passem por adaptações e melhoras, o simples fato de terem sido criadas já demonstram um passo positivo para a evolução da humanidade.

A democracia é uma dessas criações e por mais que saibamos que este conceito ainda está em processo de melhoras, podemos afirmar com toda certeza que ela foi uma das conquistas sociais mais importantes dos últimos milênios. O direito dado a todos os habitantes de um determinado lugar de poderem participar das decisões a serem tomadas é algo excepcional.

A Constituição também se encaixa neste cenário de maravilhas criadas pela humanidade. A ideia de contrato social pensada pelos filósofos iluministas e espalhadas pelo mundo transfiguraram-se nas cartas magnas dos países e ganharam este suntuoso nome: constituição. Por isso entendo que a constituição deveria mostrar de forma clara as regras do jogo, as regras da convivência em sociedade, nortear as pessoas sobre seus direitos e deveres.

“Cidadania é conceito moderno, que clama pela participação popular, pelo envolvimento das pessoas das mais diversas searas em que habita o ser humano. Ser cidadão requer compromisso, visão de coletividade, estimula a necessidade de entender que a ação, por mais individual que seja, sempre refletirá, de alguma forma, no coletivo. Por isso, a responsabilidade social que todos nós devemos ter”.

Em princípio, direitos humanos é uma ideia fenomenal por assegurar a cada um de nós os direitos básicos, os direitos naturais, invioláveis e, na sua essência, por estimular e perpetuar a dignidade.

Cidadania é conceito moderno, que clama pela participação popular, pelo envolvimento das pessoas das mais diversas searas em que habita o ser humano. Ser cidadão requer compromisso, visão de coletividade, estimula a necessidade de entender que a ação, por mais individual que seja, sempre refletirá, de alguma forma, no coletivo. Por isso, a responsabilidade social que todos nós devemos ter.

Discutir a essência de todos estes conceitos levará a todos nós para o mesmo lugar, pois não há como não nos maravilharmos com cada um deles. Mas será que bastam por si só? O famoso e já saudoso escritor português José Saramago dizia que devemos educar ou punir. Foucault, extraordinário filósofo francês, desenvolveu uma série de reflexões sobre a necessidade de vigiar e punir.

Não gostaria de ser mal interpretado por você, leitor, que está dedicando alguns minutos da sua vida debruçando seu olhar sobre este texto. Sei que todas as conquistas descritas acima são fundamentais, mas não dá mais para conviver com a impunidade. Ela está se tornando o pior dos nossos males.

A democracia, a cidadania, os direitos humanos e a constituição não podem estar a serviço da impunidade. Devem, isto sim, assegurar com toda a certeza do mundo a dignidade humana. Não podem ser comparsas da indigna e imoral impunidade.

Volto a repetir, sou totalmente contra a violência, contra todas as formas de denegrir a vida humana, mas por isto mesmo não dá mais para aceitar que nossas conquistas sejam usadas para este fim. Em nome delas a impunidade não pode reinar, corroendo as nossas conquistas.

 

*O autor é professor e membro das Academias de Letras de Caratinga e Teófilo Otoni. prof.walber@hotmail.com