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Jornalista saudita foi morto na presença de cônsul-geral, diz mídia turca

Detalhes emergem enquanto secretário de Estado dos EUA se encontra com autoridades da Turquia


O jornalista Jamal Khashoggi, 60, durante evento no Bahrein; próximo da família real saudita, após se desentender com o príncipe herdeiro do reino, ele foge para os Estados Unidos em 2017, onde passa a criticar o regime - Mohammed al-Shaikh/AFP

Um jornal pró-governo da Turquia publicou nesta quarta-feira (17) um relato horripilante do suposto assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi no consulado da Arábia Saudita em Istambul, no momento em que o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, se reúne com autoridades turcas. 

O relato do jornal Yeni Safak faz aumentar a pressão sobre a Arábia Saudita para que explique o que aconteceu com Khashoggi, que desapareceu no dia 2 de outubro durante visita ao consulado.

Segundo os relatos, o jornalista foi morto minutos após entrar no consulado, dentro do escritório do cônsul-geral, e não chegou a ser interrogado.

Nesta quarta policiais turcos também entraram na casa do cônsul-geral saudita, Mohammed al-Otaibi, em Istambul, atrás de pistas que ajudem na investigação do caso. 

A residência fica a cerca de 2 km do consulado onde o crime teria ocorrido. Os agentes não explicaram exatamente porque decidiram ir ao local, mas imagens de segurança do dia 2 mostram carros entrando e saindo do consulado e da casa duas horas após o desaparecimento de Khashoggi. 

A Turquia não revelou se os agentes encontraram algo na busca no local.

Pompeo teve encontros com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e com o chanceler, Mevlut Cavusoglu, por cerca de 40 minutos cada na capital turca, Ancara.

Em nota divulgada após os encontros, o Departamento de Estado afirmou que o secretário está preocupado com a situação e manifestou a disposição americana em ajudar com as investigações.

Cavusoglu se limitou a dizer que a reunião foi "benéfica".

Na véspera, o secretário havia se encontrado com o rei saudita, Salman, o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman.

Antes de deixar Riad, Pompeo disse que os líderes sauditas "não fizeram exceções sobre quem responsabilizariam" pelo desaparecimento.

"Eles fizeram o compromisso de responsabilizar qualquer pessoa por qualquer transgressão, mesmo que seja uma alta autoridade", disse. 

Na terça, o presidente Donald Trump  afirmou que o príncipe saudita, conhecido como MBS, "negou totalmente" que tenha conhecimento do que aconteceu com o jornalista e que é preciso ter cuidado antes de apontar culpados.

A reportagem do Yeni Safak descreve o que seria uma gravação de áudio da morte de Khashoggi.

O jornal diz que o cônsul-geral saudita, Mohammed al-Otaibi, pode ser ouvido na gravação, dizendo àqueles supostamente torturando Khashoggi: "façam isso lá fora, vocês vão me colocar em apuros". 

A resposta, segundo o jornal, foi: "Cale a boca se você quiser continuar vivo quando voltar à Arábia".

De acordo com o Middle East Eye, Khashoggi foi então levado para outra sala, onde o especialista forense saudita Salah Muhammad al-Tubaigy teria começado a cortar o corpo em cima de uma mesa com o jornalista ainda vivo. 

Al-Tubaigy teria colocado fones de ouvido para ouvir música enquanto começa o esquartejamento, encorajando outras pessoas a fazer o mesmo. 

De acordo com o New York Times, dos 15 sauditas identificados pela imprensa turca como parte do grupo que atuou no assassinato do jornalista, quatro são ligados ao príncipe herdeiro.

Segundo a imprensa turca, Al-Otaibi deixou ontem a Turquia em direção a Riad. 

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