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Adolescente supostamente ligado ao PCC é executado a tiros por membros de facção rival

Jovem foi executado no Conjunto Pérola do Rio Branco; horas antes, ele havia sido detido pela polícia

Créditos: NONATO SOUSA

Um adolescente de 17 anos, apelidado de "Mente Cabulosa", foi executado a tiros em casa na noite de terça-feira (6), no Conjunto Pérola do Rio Branco, bairro Doutor Airton Rocha, Zona Oeste de Boa Vista. Segundo informações de policiais, ele era participante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A principal suspeita é de que o jovem foi assassinado por integrantes da rival Comando Vermelho (CV).

A mãe do adolescente conversou com a reportagem do Roraima em Tempo na manhã de quarta-feira (7), enquanto aguardava a liberação do corpo para o velório e sepultamento. Ela disse que o filho estava ameaçado de morte, conforme ele lhe relatou várias vezes. Quem fazia as ameaças e por qual motivo, a mulher preferiu não revelar.

Ela disse ainda que o adolescente foi alvejado dentro de casa e correu para a rua tentando se salvar, mas caiu logo depois e morreu no local. A mãe informou que viu os assassinos de costas quando fugiam. 'Mente Cabulosa' foi assassinado por dois homens que, segundo a mulher, a irmã e o cunhado da vítima, que também testemunharam o crime, estavam encapuzados. Depois de atirarem, os criminosos fugiram em direção a um matagal que fica próximo e desapareceram. "Eles ainda agrediram meu genro e o jogaram no chão", disse.

Ainda de acordo com a mãe, o adolescente era usuário de drogas e chegou a passar 18 dias no Centro Socioeducativo (CSE) por tráfico. Sobre o envolvimento do filho com roubo e facção criminosa, ela disse que não sabia. A mulher acredita que a morte do adolescente não foi por acerto de contas.

Ela contou que se o filho estivesse devendo a traficantes, ele teria falado e a família daria um jeito de pagar.

ROUBO

Horas antes de ser executado, o adolescente foi detido por homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar em uma rua do Conjunto Pérola, ocasião em que andava com a irmã numa Biz. 'Mente Cabulosa' era suspeito de ter roubado o celular de uma assistente social de 43 anos, no início da tarde, no bairro Cambará.

Segundo a vítima do roubo contou à polícia, ela conduzia uma motocicleta e reduziu a velocidade ao chegar num cruzamento, momento em que o assaltante aproveitou para assaltá-la. Ela acrescentou que o ladrão também estava numa moto que era conduzida por uma jovem.

"O bandido colocou algo na minha cintura, por trás, e puxou meu celular que estava no bolso. Ele disse 'não olha, não olha'", afirmou a vítima.

Ela não informou o modelo e cor da moto do casal de assaltantes, apenas que ambos estavam de capacete e não viu o rosto deles. A assistente social disse, no entanto, que o ladrão estava com uma camisa de meia preta com detalhe em branco na frente e usava um cordão comprido no pescoço, destacando também que a jovem que ficou na moto tinha várias tatuagens na perna.

Ela ficou sabendo pelo WhatsApp que uma equipe policial tinha detido o adolescente com as mesmas características do ladrão, camisa e cordão, numa Biz preta conduzida por uma jovem, e foi ao 5º Distrito Policial, para onde 'Mente Cabulosa' e a irmã foram conduzidos. No entanto, a vítima não reconheceu o jovem como sendo o assaltante, embora tenha dito que acreditava ser ele o ladrão.

O adolescente também prestou depoimento e negou o roubo. Ele ainda afirmou que não fazia parte da facção PCC e confirmou passagens pela delegacia por roubo, acrescentando que passou a tarde de terça-feira na casa da irmã até ser abordado com ela em via pública pelos PMs.

LIBERADO

Como não foi reconhecido pela vítima e também a equipe policial não encontrou o celular da mulher com o suspeito, o delegado de plantão, Marcus Albano, ouviu todos os envolvidos e liberou o adolescente para a família levá-lo, e encaminhou o documento produzido ao distrito policial da área para investigar. Pouco tempo depois de chegar a sua casa, o rapaz foi executado.

A mãe do jovem também falou com a reportagem sobre a detenção do filho e contestou as informações da polícia. Segundo ela, ele estava com a irmã quando foi abordado e afirmou que não teria cometido o roubo.

"Ele saiu com a irmã para comprar uma camisa e quando voltavam para casa foram abordados pelos PMs. A abordagem ocorreu na rua da casa do avô dele. Estive no local e acompanhei o desenrolar dessa confusão até meu filho ser solto. Não tinha prova contra ele", afirmou a mulher.