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Agentes penitenciários param atividades por falta de salário e condições de trabalho

Apenas os alvarás de soltura e atendimentos médicos nas unidades prisionais serão realizados

Créditos: EDUMAR JUNIOR
- Edinaldo Morais

Os 277 agentes penitenciários que atuam nas unidades prisionais de Roraima cruzaram os braços. Eles reivindicam os salários atrasados e protestam contra as péssimas condições de trabalho. Com a greve, serviços como o "sacolão" e as visitas estão suspensos. Apenas os atendimentos de saúde e o cumprimento de alvarás de soltura serão realizados. Essa é a segunda paralisação dos agentes em um mês.

"Nossa situação está precária. Com esse atraso do pagamento, não temos condições de continuar atuando nas unidades. Além do gasto com combustível, é necessário que você tenha uma quantidade em dinheiro para se manter no regime de plantão de 24 horas", justificou a diretoria do sindicato.

Segundo a diretoria, todas as atividades externas e internas, como recebimento de sacolão e visitas, serão suspensas. Vão funcionar apenas os socorros médicos e alvarás de soltura. O sindicato acrescentou que as remoções dos presos às unidades de saúde estão sendo possíveis porque ainda há combustível nas viaturas. No entanto, está cada vez mais escasso.

"Nós vamos manter o contingente de agentes penitenciários nas unidades para coibir possíveis fugas, mas as atividades internas e externas, vamos suspender, porque não temos como continuar sem receber os salários", informou o Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindape-RR).

De acordo com a entidade, além da falta de pagamento, as péssimas condições de trabalho são outro motivo de reclamação.

"A gente está sem Internet, papel para emitir certidões carcerárias. Estamos sem condições de trabalhar. Já não tínhamos e, com o atraso nos salários se agravando, fica impossível. Quando a gente não tinha esses materiais, comprávamos uma resma, um toner para a impressora, mas sem os salários isso não pode acontecer", acrescentou o sindicato.

Ainda de acordo com a diretoria, os agentes não têm como se manter e bancar os serviços administrativos das unidades prisionais fazendo "cotas".

"Já tem um tempo que a gente vem segurando, fazendo cota para resma de papel, para combustível, mas a gente não pode manter sem salários. Não temos como deixar nossas famílias passando necessidade em casa e ir para as unidades prisionais sem ter como se manter lá nem manter a casa", alegou.

Segundo os agentes penitenciários, essa greve pode gerar uma rebelião nos presídios.

"O sistema prisional em Roraima é uma bomba relógio. O governo não está cumprindo o dever de fornecer alimentação para os presos. Os agentes é que pediram para os familiares levarem comida através do 'sacolão', o que é uma concessão e não uma obrigação. Serviço que está parado", alertou o sindicato.

ALIMENTAÇÃO

A empresa que fornece comida aos presídios de Roraima suspendeu os serviços há mais de uma semana. O motivo é a dívida de aproximadamente R$ 5 milhões do governo de Roraima, consequência de quatro meses. O pagamento da terceirizada deve ocorrer quando o Estado regularizar os repasses.

 

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