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Apenas 9% dos cidadãos pagam contas de início de ano; "roraimense está apreensivo"

11% dos entrevistados não fizeram qualquer planejamento financeiro para pagar esses compromissos


- Reprodução

Uma pesquisa da SPC Brasil mostrou que apenas 9% das pessoas conseguem pagar as despesas de início do ano, como IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano], IPVA [Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores] e material escolar para os filhos. Na avaliação do economista Paulo Henrique da Silva, o roraimense vive um cenário diferente dos outros estados, tendo em vista que há um sentimento de preocupação se o salário vai ou não atrasar no próximo mês.

"O roraimense está apreensivo, por isso ele busca fazer uma reserva de emergência. Diante da incerteza de que haverá salário no mês de fevereiro, ele prefere parcelar as contas de início do ano, por exemplo, os materiais escolares do filhos em três vezes, para deixar um dinheiro reserva. Caso haja um não pagamento, ele tem dinheiro guardado para suprir as despesas necessárias", acrescentou Silva.

O levantamento mostrou que 11% dos entrevistados não fizeram qualquer planejamento financeiro para pagar esses compromissos neste início de ano. Na avaliação de Paulo Henrique, "isso se dá por conta do período de fim de ano, quando as pessoas têm o sentimento de que tudo está bem e se endividam, esquecendo os gastos de janeiro".

A boa notícia é que cresceu o percentual de consumidores que juntaram dinheiro ao longo do último ano para arcar com essas despesas, saltando de 21% em 2018 para 31% em 2019.

Um dado que sinaliza como o orçamento do consumidor tende a ficar pressionado neste início de ano é que, em média, os consumidores que dividiram o pagamento dos presentes de Natal devem terminar de quitar as prestações somente entre os meses de abril e maio, segundo levantamento do SPC Brasil, fato que exige ainda mais disciplina para não atrasar o pagamento de tantas despesas.

"Se você usou parte do 13º para pagar dívida, isso mostra que você estava no vermelho, porque esse benefício não é para pagar. Ele é para tirar férias, fazer um investimento na casa ou outras despesas. Quem conseguiu guardar parte dele para pagar as dívidas de início de ano, ok. Aqueles que não conseguiram nem isso deve se preparar e fazer um planejamento financeiro", comentou o especialista.

Pagar as despesas de início de ano à vista ou parcelado? Na avaliação do economista, usar o cartão é última hipótese. Ele usou um exemplo: nosso orçamento é como se fosse uma caixa d'água e é preciso observar onde há vazamentos para conseguir contornar o problema e não viver críticos momentos financeiros.

"Cortar uns gastos e importante para um equilíbrio nas contas. Se você tem um investimento para fazer o ideal é cortar gastos. Converse com todos da casa para economizar na água, na luz, nas saídas, para ver onde está vazando o dinheiro para reter. Precisa analisar a situação financeira no início do ano para chegar no início de 2020 com o saldo no azul", orientou Paulo Henrique da Silva.

PESQUISA

Para quem quiser avaliar se o desconto no pagamento à vista é mais vantajoso do que o parcelamento, o consumidor deve fazer um cálculo criterioso. O primeiro passo é avaliar se o desconto oferecido é maior do que o valor que esse dinheiro renderia caso estivesse em alguma aplicação financeira de fácil resgate. Lembrando que cada Estado e município têm as próprias regras de desconto e é preciso ficar atento a essas diferenças.

Foram entrevistadas 804 pessoas de ambos os sexos e acima de 18 anos, de todas as classes sociais, em todas as regiões brasileiras. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para um intervalo de confiança a 95%.

 

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