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Audiência pública debate sobre obra da Hidrelétrica de Bem-Querer, em Caracaraí

Para informar sobre a construção da Usina Hidrelétrica do Bem-Querer, na área do sítio arqueológico no município de Caracaraí

Créditos: NEIDIANA OLIVEIRA
Corredeiras do Bem-Querer estão localizadas no município de Caracaraí, no trecho sul da BR-14, a quase 125 quilômetros da capital - Bruna Alves/Arquivo pessoal

Para informar sobre a construção da Usina Hidrelétrica do Bem-Querer, na área do sítio arqueológico no município de Caracaraí, será realizada uma audiência pública com o tema "O Projeto da Hidrelétrica do Bem-Querer e os Reflexos no Rio Branco e Sua Gente". O evento acontece hoje, a partir das 17h, na orla da cidade na região Sul de Roraima.

A proposta não é discutir sobre os impactos da obra no meio ambiente, mas explicar todo o processo do funcionamento da usina por meio do projeto da hidrelétrica, reflexos na sociedade e propor alternativas energéticas para Roraima, conforme a organização da audiência.

"A obra está prevista para começar em 2024, tendo em vista que está inserida no Plano Decenal de Energia 2024 [PDE 2024], do Ministério de Minas e Energia, e já existem duas empresas responsáveis pelo Estudo de Impacto Ambiental [EIA] fazendo o levantamento da área. Não queremos discutir sobre os prós e contras, queremos apenas propor soluções", disse o presidente da Federação das Colônias de Pescadores de Roraima, Rafael Pinheiro.

Ele explicou que no PDE consta que até 2024 pelo menos 11 usinas hidrelétricas devem entrar em funcionamento na Amazônia. Entre elas, está a construção da Hidrelétrica do Bem-Querer, que abrange os municípios de Boa Vista, Bonfim, Cantá, Caracaraí, Iracema e Mucajaí, com geração de 708 megawatts (MW) de potência.

"Queremos indicar outras formas de captação de energia, como a eólica e a solar. Vamos apresentar ideias com base em experiências que já existem e funcionam em outras hidrelétricas, que são empreendimentos que não causam danos ao meio ambiente e têm o mesmo resultado energético", pontuou.

A audiência é aberta ao público e voltada à sociedade civil organizada, autoridades públicas, discentes, docentes e estudiosos da área do meio ambiente, lideranças indígenas e profissionais da imprensa. O evento é organizado pelo Ministério Público Federal (MPF), Diocese de Roraima, Movimento Puraké, Federação das Colônias de Pescadores e Piscicultores de Roraima e Prefeitura de Caracaraí.

De acordo com Pinheiro, esta será a segunda audiência pública deste ano. A primeira foi realizada em abril no auditório da Universidade Federal de Roraima (UFRR). A iniciativa buscou promover o debate sobre a preservação dos recursos hídricos, levantando informações, críticas e sugestões sobre as consequências do garimpo ilegal e de atividades danosas ao meio ambiente, a exemplo do projeto da Usina Hidrelétrica de Bem-Querer.

POTENCIAL ENERGÉTICO

A Bacia Amazônica possui o maior potencial hidrelétrico brasileiro, mas também é a que apresenta as maiores restrições do ponto de vista ambiental. De acordo com o Plano Nacional de Energia, o potencial aproveitado na bacia é de quase 106 mil megawatts (MW). Das 13 sub-bacias da região, as de Tapajós, Xingu, Madeira e Trombetas concentram quase 90% desse valor.

No entanto, proporcionais ao potencial hidrelétrico são as restrições ambientais nestas áreas. Terras indígenas, parques nacionais, quilombos e reserva de desenvolvimento sustentável são algumas das restrições. Todas as obras estão incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.

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