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Aumenta número de jovens que precisam usar óculos por uso excessivo de celulares

Informação foi confirmada por médico de Roraima: ?miopia não é mais uma questão só de genética?, disse

Créditos: BRUNA MENEZES
- Fabio Calilo

Oftalmologista há 18 anos, o médico Alexandre de Magalhães Marques notou que em Roraima aumentou o número de adolescentes e jovens que precisam usar óculos de grau devido ao uso excessivo de celulares, tabletes e notebooks, mais conhecidos como "Gadgets".

"Não existem estudos oficiais a respeito, mas percebemos ao longo desse tempo, por meio dos atendimentos, que a introdução dos Gadgets mudou a realidade das pessoas, que precisam fazer o uso dos óculos de grau precocemente", avaliou.

O especialista explica o porquê.

"Por um capricho evolutivo, os seres humanos tiveram que aprender a enxergar de perto. Então, quando o indivíduo passa muito tempo forçando para ver de perto, os olhos sofrem mudanças de tamanho e curvatura, o que aumenta o grau. Por isso, a miopia não é mais uma questão só de genética", complementou.

Segundo Marques, aquela história de que só pessoas idosas precisam usar óculos foi mudada há muito tempo. Atualmente, o grupo da terceira idade busca operar a catarata e usam lentes especiais para não precisarem mais dos óculos.

O jornalista Josué Ferreira foi um desses jovens que passou a usar as lentes para melhor a visão. O uso excessivo do computador e celular no trabalho levou a um astigmatismo há oito meses. O profissional acredita que a demora em procurar um especialista agravou um pouco mais a visão.

"Minha amiga e eu trabalhávamos a mesma quantidade de horas, aproximadamente cinco diariamente. Ela fez exames na época e eu não. Mudei de emprego e aumentei para 12 horas de uso. Quando fui ao oftalmologista meu grau estava superior ao dela: meio grau de um lado e quase um do outro. A partir daí, os óculos entraram na rotina", detalhou.

Essa nova geração, levou as lojas a registram aumento na procura de armações mais modernas e diferenciadas que as antigas.

"De dez clientes, seis são adolescentes ou jovens", informou o consultor óptico Léo Rocha.

Rocha concordou com o médico oftalmologista e pontuou que o uso demasiado das tecnologias como celulares, computadores e televisões, prejudicou a vista deste grupo mais jovem.

"As crianças não brincam mais com carrinhos, elas querem celulares e tabletes de presente e esse uso afetou a saúde delas", acrescentou, frisando que por causa desse aumento, as óticas reformularam os tipos de armações.

"Se você visitar qualquer ótica, vai notar armações dos mais variados estilos, porque virou uma questão de moda. Os jovens procuram algo mais descolado e dificilmente usam armações tradicionais", acrescentou o consultor óptico.

Para esse público, o profissional indiciou o melhor tipo de lente. "São as com luz azul violeta. Essas lentes protegem contra as luzes artificiais. Ao comprar uma lente, o cliente deve procurar um produto que forneça proteção dupla de reflexos", recomendou.

A reportagem do Roraima em Tempo visitou uma segunda loja e a resposta não foi diferente: o número de jovens que procuram óculos de grau aumentou.

Funcionária há oito anos do local, Valdete Gomes disse que percebeu também que o grau dessas pessoas estão, consideravelmente, altos.

"Nossos clientes jovens tinham em média de 0,5 a 1 grau de miopia. Hoje, eles sempre têm mais de 2, o que é muito alto", alertou.

PESQUISA

Segundo levantamentos do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 20% das crianças em idade escolar do país têm problemas de vista.

Outra pesquisa, desta vez do Centro de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), revelou que 69% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos navegam pela internet mais de uma vez por dia.

Em abrangência mundial, uma pesquisa publicada no Opthalmology Journal diz que até 2050, pelo menos de 4,8 bilhões de pessoas terão algum tipo de deficiência visual em que será necessário o uso de óculos. Esse número equivale a 49,8% da população mundial.

O relatório confirmou que a tendência será em decorrência da exposição, considerada desenfreada, aos Gadgets.

Para os pais de crianças e adolescentes, a dica do oftalmologista Alexandre é dosar o uso desses aparelhos. "Nada em excesso faz bem. É necessário, também, procurar um profissional o mais cedo possível para avaliar se a criança precisa ou não de correções", finalizou.