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Batalhões da PM são bloqueados por mulheres de militares que cobram pagamento de salários atrasados

Mobilizações começaram na noite de terça, quando as mulheres bloquearam o acesso à Casa do Cidadão


Reprodução

Mulheres que protestam contra salários atrasados há quase um mês em frente à sede do governo bloquearam batalhões da Polícia Militar durante essa quarta-feira (28). Até a conclusão da matéria, foram pelo menos três protestos realizados ao longo do dia no 1º Batalhão da PM, localizado no Centro da cidade, e no 2º BPM e na Casa do Cidadão, ambos na Zona Oeste.

Pela manhã, elas fecharam com cadeado o portão principal do 2º BPM. Na noite de terça-feira (27), o bloqueio foi feito na Casa do Cidadão. E ontem, por volta das 19h, foi a vez de o controle de entradas e saídas ser feito no 1º Batalhão.

Os protestos são para chamar a atenção da sociedade e sensibilizar o Estado a pagar os salários atrasados dos militares que já duram quase 60 dias. Por volta das 12h de ontem, a governadora Suely Campos (PP) recebeu algumas das manifestantes no Palácio Senador Hélio Campos.

"A conversa com a governadora não surte efeito. Fechamos os três portões do primeiro batalhão. Chegamos por volta das 18h50, porque às 19h é horário de rendição [troca] das viaturas. Não temos horário para deixar o local. Quem já trabalhou durante o dia, está podendo sair, mas quem entrou para o plantão, não pode, assim como as viaturas", informou uma das participantes do protesto.

As mobilizações começaram na noite de terça, quando as mulheres bloquearam o acesso à Casa do Cidadão. A PM informou que o serviço não ficou comprometido. Todos os protestos têm cartazes com mensagens de apelo e desabafos.

Durante os quase 30 dias, as mulheres já fecharam a BR-174 e protestaram em frente à casa da governadora por duas vezes. Mesmo após conversa com Suely Campos, o acampamento vai continuar na Praça do Centro Cívico.

Segundo uma das manifestantes, os protestos são pacíficos e há apoio de capitães, que liberaram o uso dos banheiros e forneceram água.

COM CADEADO

As manifestantes trancaram com um cadeado o portão principal do 2º Batalhão da Polícia Militar de Roraima na manhã dessa quarta.

"Chegamos aqui [2º Batalhão] por volta das 5h da madrugada e impedimos que os policiais fossem atender a ocorrência de uma mulher", relatou uma das manifestantes, ao acrescentar que a situação das famílias tem ficado cada dia mais difícil.

A Casa do Cidadão foi fechada em torno das 19h de terça e ficou com a passagem bloqueada pelas manifestantes até às 22h.

As mulheres são as mesmas que estão acampadas há quase um mês em frente à sede do Poder Executivo, na Praça do Centro Cívico. Os familiares vivem no local em barracas e recebem doações da população para conseguir sobreviver.

Não há previsão de pagamento dos servidores públicos, conforme o Sindicato dos Policiais Civis. 

DIFICULDADES

A mulher de um policial relatou que na casa deles não há nem o que comer. "Abri minha geladeira e não tinha nada. Tivemos que pegar doações", relatou.

Conforme desabafou, a preocupação é ainda maior com os filhos de um e nove anos. "Minha filha precisa estudar, e bancar a gasolina está muito difícil", lamentou.

Com as contas atrasadas, ela teme perder bens. "Nosso carro e casa são financiados. Depois de um tempo sem pagar, o imóvel pode ser leiloado e vamos perder tudo. Estamos muito aflitos", disse.

Filha de militar, uma das jovens que protestaram no 2º Batalhão relatou a dificuldade do pai, que tem mais três filhos. "Nossa família é grande, a despesa é ainda maior e essa situação precisa ser resolvida".

Ela afirmou que não há previsão para encerrarem os protestos. "Sem dinheiro, sem polícia na rua", concluiu.

PAGAMENTO

Na terça-feira (27), o Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol) informou que os servidores estaduais não receberão os salários atrasados referentes a outubro, tampouco os de novembro e dezembro e a segunda parcela do 13º.

Conforme explicou o presidente da entidade, Leandro Almeida, a representação da Secretaria do Estado da Fazenda (Sefaz) contabilizou os recursos que chegarão aos cofres públicos do governo até 31 de dezembro e constatou a inviabilidade do pagamento.

"Tivemos notícias de que não há previsão para o pagamento dos salários, nem de outubro, que estava previsto para sair dia 9 de dezembro, mas não será mais pago", completou.

O presidente anunciou o lançamento de um edital que convoca os servidores de todas as categorias para uma assembleia geral, na sede do Sindpol, a ser realizada na próxima segunda-feira (3), a partir das 9h.

A ideia é convocar uma greve geral no âmbito da Polícia Civil. "Saí mais uma vez da Sefaz sem nenhuma resposta e nem sequer fomos recebidos pelo secretário da Fazenda. Com isso, foi determinada a assembleia geral", afirmou.

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