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Casos de malária em Roraima registram queda de 34% no primeiro bimestre de 2019

Os municípios com maior número de casos são Rorainópolis, Cantá e Alto Alegre

Créditos: Winicyus Gonçalves
Números ultrapassam os dois mil somente com contágio dentro do Estado; Sesau visa intensificar ações para reduzir índice - Divulgação/PMBV

Com o tempo seco e a estiagem, a malária volta a preocupar a população com o aumento da proliferação de mosquitos. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), já foram registrados 2.226 casos da doença em janeiro e fevereiro deste ano. Desse número, 2.102 são de transmissões autóctones, ou seja, de pessoas infectadas dentro de Roraima.

Apesar do alto índice, há uma redução de 34,82% nas notificações, em comparação com o mesmo período de 2018, quando houve 4.789 registros, dos quais 3.225 territoriais de Roraima.  Os municípios com maior número de casos são Rorainópolis, com 602 casos, seguido por Cantá, com 326 casos, e Alto Alegre, com 244 casos.

ANÁLISE

Dulcinéia Barros, gerente do Núcleo de Malária da Coordenadoria-Geral de Vigilância em Saúde (CGVS), avalia que ainda não existe um diagnóstico preciso sobre os motivos da queda na notificação da malária em Roraima.

"As ações de prevenção e combate à malária no estado voltaram com maior força há pouco tempo, então a tendência é que a queda seja mais acentuada em abril, no próximo balanço", comenta a gerente.

Os dados vão sendo atualizados de acordo com a digitação dos casos no Sistema de informação de Vigilância Epidemiológica da Malária (SIVEP-Malária). As equipes de combate à malária vão realizar novas ações nas localidades com o objetivo de ter resultados mais positivos até o fechamento do próximo bimestre.

"Vamos disponibilizar mosquiteiros para os municípios prioritários e trabalhar com a busca ativa de possíveis casos ou diagnósticos confirmados da doença", afirma Dulcineia.

ÍNDICES

Os municípios que também tiveram alta de notificações de malária foram Caroebe, que foi de 21 para 104 casos, Alto Alegre, que saltou de 171 para 244 casos, São João da Baliza saltou de 24 para 97 notificações neste bimestre, e São Luiz ficou com 36, acima dos 24 do ano passado. Uiramutã registrou 38 casos de janeiro a fevereiro; no ano passado, esse número era de apenas cinco.

Já os municípios que tiveram queda nas notificações formam Amajari, de 250 para 200 casos, Boa Vista, de 53 para 19 casos, Bonfim, de 44 para apenas cinco casos, Cantá, de 711 para 326 casos, Caracaraí, de 530 casos para 172 casos, Iracema, de 119 casos para 90 casos, Mucajaí, de 146 para 119 casos, Normandia, de 4 casos para nenhum caso, Pacaraima, de 145 para 50 casos e Rorainópolis de 978 para 602 casos.

 "É um período de transmissão da malária porque é o momento em que o agricultor vai para o campo e se expõe, e às vezes abaixa a guarda", explica Dulcinéia.

DIFICULDADES

Uma das dificuldades que Dulcinéia aponta para o combate à malária no estado é o garimpo ilegal.

"Nós não podemos fazer ações em áreas de garimpo ilegal, senão vamos compactuar com algo que é indevido. Além disso, o garimpeiro que é diagnosticado com malária não vai dizer que contraiu a doença em um garimpo ilegal, o que dificulta a notificação correta dos casos", pondera Dulcineia. Municípios com áreas indígenas, como Alto Alegre, também tiveram aumento considerável nos casos notificados.

 Os municípios que mais preocupam a CGVS, Rorainópolis, Cantá e Caracaraí, concentraram as ações prioritárias de combate à malária em Roraima e apesar dos índices altos de notificação, conseguiram reduzir os casos.

"Cantá e Caracaraí estão colhendo os frutos de uma estratégia que foi iniciada há um ano, focando em testes rápidos de diagnóstico da doença e distribuição de mosquiteiros em áreas prioritárias. Rorainópolis conseguiu cumprir as metas com um pouco de atraso e teve uma redução menor", complementa Dulcineia.

AÇÕES

Apesar das dificuldades serão distribuídos mosquiteiros nos municípios com mais casos notificados, implementação as ações, capacitação dos profissionais de saúde que vão a campo e a manutenção dos dados atualizados sobre a doença no Estado.

"A meta de redução Ministério de Saúde é de 70%, então vamos trabalhar muito para se aproximar ao máximo deste índice, mas Roraima tem suas particularidades como a crise migratória, por exemplo, e tudo isso são desafios que precisamos superar", conclui a gerente.

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