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Comerciantes cobram retomada das obras na Feira do Passarão, em BV

Com obras paradas há mais de um ano, precariedade no local preocupa feirantes e afasta clientes

Créditos: Winicyus Gonçalves
Obras estão paralisadas desde julho do ano passado, ainda na gestão de Suely Campos - Winicyus Gonçalves/Roraima em Tempo

No espaço da tradicional Feira do Passarão, no bairro Caimbé, zona Oeste de Boa Vista, o que se vê é entulho, muito lixo, máquinas paradas e materiais de construção a céu aberto. Em pleno horário de expediente, ninguém trabalha. Há mais de um ano, a reforma da feira está parada, e a realidade preocupa os feirantes.

A obra começou em janeiro de 2018, ainda na gestão da ex-governadora Suely Campos (PP). A expectativa é que fosse entregue em oito meses. Desde julho do ano passado, a reforma está interrompida. Na placa da obra o valor ultrapassa os R$ 3 milhões.

A feira é conhecida pela estrutura metálica, cujo formato lembra um pássaro. Hoje, ela funciona em um endereço bem ao lado. Nos corredores estreitos, os feirantes improvisam e tentam vender, mas eles reclamam que a situação está cada vez mais difícil, porque os clientes sumiram em razão da falta de estrutura.

PRECARIEDADE

Trabalhando na feira há quase 20 anos, o comerciante José de Anchieta Costa conta que no local improvisado não há espaço suficiente para as pessoas circularem. "A feira veio para o meio da rua e não tem mais passagem para as pessoas. Quem vinha pra comprar com o carro agora não vem. Tem que deixar o carro muito afastado e alguns sentem medo de vir pra cá", relatou.

José reclamou que além desse transtorno, as vendas de mercadorias, como frutas e verduras, despencaram. Antes da obra, ele faturava cerca de R$ 600 por dia. Atualmente, mal consegue vender metade disso.

Na área improvisada, eles fazem o que podem para amenizar os transtornos, inclusive a poeira que se acumula. Cleófas Lira é feirante há dez anos e falou das dificuldades em prestar serviços adequados aos clientes.

"Aqui é tudo molhado e o esgoto corre a céu aberto. Muitos restaurantes estão empoeirados e próximos da fossa. No inverno, a situação é pior, mas de lá pra cá, não mudou nada", lamentou.

Vanessa Silva vende salgados na feira há pouco mais de cinco anos e disse à reportagem que a falta de segurança também é um empecilho para que os clientes frequentem o local.

"As ochenta [venezuelanas que se prostituem em Boa Vista] ficam direto aqui. Dá pra ver pessoas vendendo drogas. Com a feira na rua, ninguém quer comprar porque se sente inseguro", declarou.

Ela espera resposta do governo do Estado. "O que a gente quer é que a reforma seja concluída o mais rápido possível, ninguém aguenta ter mais prejuízo por uma conta que é o governo que tem que pagar".

NOTA

Em resposta ao Roraima em Tempo, a Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinf) informou que a atual gestão encontrou a obra paralisada e está fazendo um levantamento do que ainda precisa ser feito para a conclusão.

"A Seapa [Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento], que administra o local, solicitou da Seinf que seja feita uma readequação do projeto, de forma a atender a todos as demandas dos feirantes, o que, segundo a pasta, já está sendo feito pela equipe de arquitetos e engenheiros da Secretaria", acrescentou a pasta.

O Governo do Estado respondeu que encontrou diversas obras paralisadas e com inconsistências nos contratos advindos da gestão anterior e trabalha para dar celeridade à conclusão.

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