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Conselheiro Fiscal da Famer acusa presidente de desviar R$ 173 mil; ele rebate informações

Valor foi depositado na conta da Federação, segundo denunciante, que tem recibo do depósito efetivado na Caixa Econômica

Créditos: Gabriela Marcondes
- Reprodução

 

Mais casos de desvio envolvendo o presidente da Federação das Associações dos Moradores do Estado de Roraima (Famer), Faradilson Mesquita, voltam a surgir por meio de denúncias feitas por um ex-coordenador geral da Federação que era responsável por aproximadamente 2,2 mil pessoas dentro do projeto.

O denunciante atualmente é membro do Conselho Fiscal da Federação e alega que foi depositada a quantia de R$ 173mil e que o dinheiro foi desviado.

O valor que consta no recibo apresentado pelo denunciante é referente à arrecadação de 692 participantes do projeto, cujo objetivo é a compra de uma área. Cada pessoa pagou R$ 250 num lote. Segundo documento ao qual a reportagem teve acesso, o valor foi depositado na conta da referida Federação, mas as terras dos contribuintes nunca foram compradas. A espera pela entrega dos lotes já dura quase dois anos.

No comprovante de depósito consta o valor e a conta no nome da Famer. João Batista, atual Conselheiro Fiscal da Famer, conversou com a reportagem e afirmou que o presidente Faradilson Mesquita, se apropriou do dinheiro e até o momento não deu qualquer satisfação das terras outrora compradas.

Batista disse ainda que as pessoas que depositaram os valores foram induzidas por Mesquita a entrarem em terras que o presidente da Famer anunciava ter comprado. No entanto, segundo ele não passavam de falsas compras.

Houve três reintegrações de posse contra as pessoas que pagaram pelas partes. O denunciante e participantes do projeto se sentem prejudicados e enganados pelo presidente da Famer, segundo o conselheiro.

O presidente da Famer Faradilson Mesquita foi ouvido pela reportagem e alegou que as informações de João Batista não procedem e que ele tem solicitado a presença do denunciante à Federação para que preste conta a respeito do valor que não foi depositado. Isto é, ele disse nunca ter recebido os R$ 173 mil.

"Esse denunciante foi excluído da Famer. Ele e mais outro camarada eram ex-coordenador da Famer. Agora eu estou entrando com uma queixa crime contra eles, porque o pessoal dele passou uma queixa contra ele e deu num total de mais de 200mil reais. Então, o pessoal passou o dinheiro para ele e ele não depositou na Famer", se defendeu o presidente da entidade.

Ele continuou: "Ele [João Batista] dizia que na Famer tinha quatro mil pessoas inscritas e ele só tem como provar pela publicação que ele coloca cento e poucos mil que não foi só dele. Esse depósito foi no dia que nós fizemos uma festa no CTG, no dia 6 de outubro e esse depósito foi feito só por ele. Havia vários coordenadores. Juntamos tudo isso daí e fomos depositar na Caixa. Colocamos no nome dele, mas esse depósito é referente a todo mundo e não só ao pessoal dele", relatou Faradilson Mesquita.

O presidente destacou que as suspeitas dos coordenadores da Famer é de que o denunciante se apropriou do dinheiro que recebeu das pessoas do projeto e realizou um desvio de mais de R$ 10 milhões da Federação junto com outro coordenador. Mesquita assegurou que vai entrar com uma ação contra João Batista para que esclareça um valor de R$ 500mil que não foi repassado à federação.

"O denunciante disse que tem mais de duas mil pessoas no projeto. Então, R$ 250 a cada dois mil pessoas dá R$ 250mil. Daria um total de R$ 500 mil. Chamamos todos os coordenadores e eles vieram à federação fazer o cadastro do seu pessoal. O acusador está se negando a fazer o cadastro do pessoal, porque o pessoal dele veio aqui com a gente e eles só tem um recibo e não o comprovante que essa pessoa depositou na conta da Famer", rebateu.

Faradilson afirmou que espera receber esse dinheiro de João Batista para terminar de pagar as terras e criar um caixa para devolver o dinheiro àqueles que entregaram dinheiro e já não querem fazer parte do projeto.

OUTRO LADO

Em contrapartida e com documentos em mãos que comprovam o depósito de R$173 mil feito na Caixa Econômica à Federação da Associação dos Moradores do Estado de Roraima, Batista alegou à reportagem que ele continua dentro da Federação como Conselheiro Fiscal e já entregou vários documentos aos órgãos competentes que comprovam de maneira lícita os depósitos.

"Faradilson arrecadou dinheiro de todo mundo e não passou recibos para ninguém. Iniciou um negócio totalmente de má fé. Pegou uns documentos, éramos mais o menos oito coordenadores gerais na época, ele arrecadou dinheiro em mãos e não passou recibo para ninguém. O único quem fez depósito na conta fui eu nesse valor de R$173 mil e nenhum dos outros coordenadores depositaram", disse João Batista.

Ele afirmou que também está denunciando à Justiça para investigar e intimar os coordenadores para que provem a veracidade das informações que ele expõe.

"Estou com dois processos transitando desde o ano passando. Estou correndo atrás da Justiça para que se mostre realmente quem é o culpado e se as investigações forem feitas vai se demostrar que eu não sou culpado", disse Batista.

O conselheiro, que saiu da coordenação por não concordar com as atitudes do atual presidente, relatou ainda que está respaldado por diversos documentos que comprovam tudo o que ele fala e que ele tem sofrido acusações levianas de Faradilson sem provas e que não condizem com a realidade.

2017

As primeiras denúncias contra o presidente da Famer surgiram no ano de 2017 e continuam neste ano de 2019 com novos denunciantes que alegaram ter feito depósitos e que até agora não receberam os lotes de terra comprados. Cada parte afetada tem um posicionamento e estão entrando na Justiça para que as acusações de desvio e roubo sejam esclarecidas e os afetados possam ser ressarcidos.

 

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