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Depois de um ano, Casa da Mulher Brasileira em Roraima será inaugurada nesta segunda

Casa reúne Juizado Especial, Promotoria, Defensoria Pública, Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, alojamento de passagem para mulheres que possivelmente tenham que deixar suas casas, além de atenção especial

Créditos: Gabriela Marcondes

Nesta segunda-feira (3), acontece a cerimônia de abertura da Casa da Mulher Brasileira, às 16h, na Rua Uraricoera, bairro São Vicente. O novo espaço terá a capacidade de atender uma média de 200 pessoas por hora proporcionando um melhor atendimento e integrando instituições que atuam no combate à violência contra a mulher. A Casa irá viabilizar um serviço mais ágil, humanizado e adequado às mulheres facilitando a resolução de problemas que elas possam apresentar.

"A Casa da Mulher Brasileira faz parte de uma ação do governo federal, especificamente da antiga Secretaria de Políticas para as Mulheres, e foi criada em estados onde havia altos fluxos de violência contra as mulheres. Há quatro anos, o projeto foi aprovado e Roraima foi contemplado", explicou a socióloga Andreia Vasconcelos, que pertence ao Núcleo de Mulheres de Roraima (Numur).

O Estado possui um alto índice de violência contra a mulher. Dados do Ligue 180 mostram que este ano teve um aumento de 75% de casos de agressão em relação a 2017, sendo que o Mapa da Violência aponta Roraima como o primeiro estado brasileiro a ter maior número de homicídio de mulheres, fato preocupante para uma população com uma quantidade pequena de habitantes.

O objetivo da casa é disponibilizar um serviço completo de qualidade onde a mulher não se sinta constrangida e seja incentivada a denunciar o agressor tendo a segurança que sua identidade será preservada.

"É um serviço que na verdade irá incorporar vários num mesmo espaço físico. Então, a ideia da casa é muito boa para que as mulheres não tenham que estar repetidamente prestando depoimentos, por exemplo, e que ao entrar lá, ela consiga fazer a denúncia, ter seus direitos preservados e os processos encaminhados. A mulher terá assessoria jurídica, apoio psicossocial e, além disso, a proposta é que também consiga se reinserir no mercado de trabalho", disse a socióloga.

ATENDIMENTO

A Casa reúne Juizado Especial, Promotoria, Defensoria Pública, Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, alojamento de passagem para mulheres que possivelmente tenham que deixar suas casas, além de atenção especial para os filhos de agredidas.

Segundo Andreia Vasconcelos, o sentimento é de felicidade em poder ter esse espaço já pronto para atender as mulheres que tanto precisam de uma atenção mais adequada.

"Nós, do Núcleo de Mulheres de Roraima, vemos o projeto como uma proposta muito boa e que precisa ser levada a sério com uma política que seja de fato integrada, em que os organismos que estejam dentro da Casa possam de forma articulada trabalhar para transformar a vida dessas mulheres", comentou.

Muitas mulheres deixam de denunciar seus agressores por medo e pela falta de humanidade no atendimento. Ter que ir a diversos órgãos para fazer a mesma denúncia é um desgaste para quem está passando por uma situação delicada. Os serviços concentrados na casa irão servir para que a vítima não desista do processo ao longo do caminho.

A microempreendora Thatiane Vieira já foi assaltada e ressalta que é um desgaste ter que ir a delegacias diversas para registrar um mesmo acontecimento, já que cada uma apresenta uma atuação diferente.

"Se a Casa começar a funcionar corretamente, vai ser ótimo, pois ter serviços juntos e com eles atendimento psicossocial é muito importante para gente se sentir mais segura. Quando fui assaltada, fiquei com síndrome do pânico, evitava sair de casa sozinha, ainda hoje aquela agressão me afeta um pouco, não saio muito sozinha de casa à noite. Ter um atendimento prioritário e adequado, mais humanizado na Casa da Mulher irá ajudar a muitas outras que assim como eu não tiveram um acompanhamento mais de perto ajudando a não criar problemas internos", ressaltou Thatiane Vieira.  

SAIBA

Construir a Casa da Mulher Brasileira em Roraima teve um custo de R$ 10,5 milhões do governo federal. Já a manutenção terá um custo R$ 8 milhões. O recurso será liberado por meio de convênio entre os governos federal e estadual.

 

 

 

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