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Estado não faz repasse à clínica e família decide bancar por conta própria o tratamento de paciente

Hospital Lotty Íris suspendeu o exame após ficar oito meses sem receber do governo do Estado


Exame é feito pelo Hospital Lotty Íris, que presta serviço ao governo do Estado - Divulgação

"Pessoas estão morrendo porque o governo está desviando o dinheiro da saúde para a campanha eleitoral". Esse é um desabafo desesperado dos familiares de uma senhora que está internada no Hospital Geral de Roraima (HGR) à espera da colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), exame para avaliar as vias biliares, pancreáticas e vesícula, através da associação da técnica de raios-X e endoscopia.

A CPRE é feita pelo Hospital Lotty Íris, que presta serviço ao governo do Estado. Mas, como está sem receber o pagamento há oito meses, a clínica suspendeu os atendimentos por tempo indeterminado.

Os familiares, que preferiram não se identificar, informaram à reportagem que a paciente deu entrada no HGR, recebeu o diagnóstico e foi encaminhada para fazer o exame que foi autorizado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), mas quando chegaram à clínica, a única no Estado que faz esse tipo de exame, foram informados que estava indisponível por falta de pagamento do governo.

"O paciente chega dizendo que está doente e o médico diagnostica, encaminha o paciente para fazer o exame, faz a solicitação e encaminha para a Sesau, que autoriza todos os CPREs. Eles estão amontoando os pedidos de exames para mandar para a clínica, só que não estão sendo feitos. E a Sesau quer colocar a culpa na clínica, só que a clínica não recebe há oito meses", disseram.

Segundo os denunciantes, cerca de dez pacientes estão nessa situação. Gente que espera pelo exame há mais de um mês e a cada dia que passa a doença vai se agravando.

"Se não for feito o exame, a situação está se agravando. Se chegar ao pâncreas, o índice de mortalidade é mais de 90%", relataram.

Para evitar que o pior aconteça, a família se reuniu e vai pagar a cirurgia que custa R$ 12 mil.

"Não vamos deixar ela morrer. Só que os outros pacientes que não têm condições, vão morrer, porque os governantes estão desviando dinheiro da saúde para a campanha eleitoral e tá na cara isso", reforçaram.

A reportagem entrou em contato com o governo do Estado, mas não houve resposta até a conclusão desta matéria.

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