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Flexibilização de porte legal de arma proposta por Bolsonaro em decreto divide opiniões

Decreto desburocratizando porte de arma deve ser assinado pelo presente até o dia 22 de janeiro

Créditos: Anderson Soares

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), deve apresentar até o dia 22 de janeiro uma proposta que visa desburocratizar o porte legal de arma de fogo. A medida faz parte de uma promessa de campanha feita por ele durante as eleições de 2018.

O decreto preliminar que será assinado pelo presidente ainda este mês prevê algumas medidas que facilitam a obtenção do armamento. Além disso, o interessado, caso o texto da normal não seja alterado, poderá ter até duas armas.

A novidade divide opiniões. Para coordenadora do Núcleo de Mulheres de Roraima (Numur), Andreia Vasconcelos, a medida eleva ainda mais a estatística de violência e mortes com utilização de armas de fogo. Ela declarou que o problema da segurança no país não será resolvido entregando armas para as pessoas.

"Se você facilita que homens e mulheres tenham acesso a armas, elas podem, num momento de raiva ou de falta de reflexão, matar. A nossa maior preocupação quanto movimento de mulheres é essa. Em vez de dar à sociedade outros instrumentos que possibilitem uma cultura de paz, são dados meios para incentivar uma cultura de violência. Se isso vier acontecer, vai ter um aumento na violência e assassinatos", avaliou.

A reportagem do Roraima em Tempo foi às ruas da cidade para saber o que os boa-vistenses pensam a respeito do assunto. A empresária Dian Cristian de Souza, de 29 anos, declarou ser a favor da facilidade do porte de arma, já que as pessoas poderão se defender de bandidos.

"A população poderá se defender em várias situações. Uma delas é de garantir a própria integridade física e do patrimônio de assaltantes. Eles [infratores] aproveitam dessa condição de desarmamento para praticar crimes", enfatizou Dian.

Ao contrário da opinião da empresária, o estudante Edson Mariano Gomes, de 16 anos, afirmou ser contra. Ele defendeu que vai gerar mais violência no país e, consequentemente, mais mortes. Para ele, o decreto agrava a onda de violência em todas as regiões do país.

"Para mim não é uma coisa certa porta arma, porque nunca se sabe quando a pessoa armada vai 'perder a cabeça' em um momento de raiva, bem como com quem ela vai ter esse desequilíbrio emocional. A arma pode ser entregue para ela se defender, mas a pessoa pode usar para outras finalidades", sustentou.

O agente penitenciário Weberth Rocha Gomes, de 30 anos, afirmou acompanhar o processo sobre o porte de arma, e que já tem opinião formada sobre o assunto.

"As pessoas criticam que qualquer um vai poder chegar e comprar uma arma, e não será desta forma. Vai ter treinamento, além de outras medidas necessárias antes de entregar o porte. Eu sou a favor porque o bandido, sabendo que o dono da casa pode estar armado, vai pensar duas vezes antes de cometer o crime", argumentou.

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