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Mais de 40 mil alunos estão sem ir à escola por causa da 'greve do transporte escolar'

Cooperativa afirma que todas as empresas que prestam serviço ao governo estão com faturas atrasadas

Créditos: EDUMAR JUNIOR
- Edinaldo Morais

Todos os alunos da zona rural e das áreas indígenas do Estado estão sem ir à escola há cerca de um mês por causa da "greve do transporte escolar". São mais de 40 mil estudantes que podem perder o ano letivo, caso não recuperem as aulas a que faltaram.

Na Praça do Centro Cívico, ônibus, Kombis e vans escolares estão estacionados como forma de protesto. O governo do Estado afirmou estar formulando um novo calendário para repor as aulas que os alunos perderem nesse período.

De acordo com o presidente da Cooperativa dos Transportes Escolares de Roraima, Márcio André Costa Silva, todas as empresas que prestam serviço ao governo estão com faturas atrasadas.

"A maioria das empresas está há nove meses sem receber, mas tem empresas com sete, outras com seis. Todas estão com faturas atrasadas e aguardam o pagamento", reforçou.

Ainda de acordo com a cooperativa, mais de 600 famílias ligadas ao ramo de transporte escolar estão prejudicadas com o atraso dos pagamentos. Silva afirma que essa situação coloca em risco mais de três mil empregos diretos e indiretos.

"São centenas de motoristas que trabalham diretamente com a gente. Sem citar mecânicos, casas de peças, veículos auxiliares com motoristas. Todos eles estão desempregados. O transporte escolar gera milhares de empregos e renda para a capital e por todo o interior de Roraima", comentou.

O motorista Jofre da Silva contou à reportagem do Roraima em Tempo que os condutores "não têm mais condições de retornar aos trabalhos, de prestar serviço de qualidade e, por isso, a categoria decidiu parar".

"Não temos dinheiro para gasolina, crédito nos postos nem nas autopeças. Os mecânicos e os funcionários que estão com os salários atrasados não querem mais trabalhar", desabafou.

De acordo com o motorista, algumas empresas estão sem receber desde janeiro e, com isso, acumulam dívidas com os funcionários, postos de gasolina e lojas de peças, o que deixou a prestação do serviço insustentável.

"Tem donos de empresa que não receberam nenhuma fatura pelo serviço prestado em 2018. Alguns estão há seis meses sem receber, outros com oito meses. O funcionário trabalha porque precisa e geralmente são pessoas que atuam com a gente há mais de dez anos e nunca tinham passado por essa situação", enfatizou.

Sem ter como pagar os empregados, os proprietários das empresas estão dispensando os motoristas. Um deles foi Michel Queiroz. Demitido e sem dinheiro, ele presta apoio na praça, onde está localizada a sede do Poder Executivo.

"O dono da empresa não está podendo pagar e pediu para que nós fôssemos para casa procurar outra coisa para fazer até a situação se normalizar. Não adianta a gente continuar trabalhando, se não tem como pagar. Mas estamos aqui para pedir que a governadora pague a gente, para que consigamos voltar ao serviço", disse.

Enquanto a greve continua, os alunos ficam prejudicados. De acordo com Costa Silva, são mais de 40 mil estudantes prejudicados.

"Todo o transporte escolar do Estado está parado. Alguns pais que têm condição de levar os filhos, colocam eles em garupa de moto, em cavalo. Para muitas comunidades não há acesso e os pais não têm condições. Com isso, os alunos estão sem estudar. É como se o Estado não tivesse governador", reclamou.

O QUE DIZ O GOVERNO

A Procuradoria-Geral do Estado informou que conseguiu na Justiça liminar para garantia dos salários dos servidores.
"Nesse sentido, a prioridade do governo é efetuar o pagamento de salário de todos os servidores da administração direta e indireta, e na medida em que houver disponibilidade orçamentária, outras despesas serão liquidadas", justificou.

A nota informa ainda que em relação ao ano letivo, a Secretaria de Educação e Desporto vai providenciar um calendário de reposição de aulas, de modo que sejam cumpridos os 200 dias letivos exigidos por lei.