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Mulheres de militares fecham batalhões em seis cidades para cobrar salários atrasados

Manifestações ocorrem em Boa Vista, Rorainópolis, Caracaraí, Pacaraima, Caroebe e São João da Baliza

Créditos: Giovanna Souza

Na manhã de ontem (5), mulheres e familiares de militares fecharam mais dois batalhões da Polícia Militar (PM). Desta vez, em Pacaraima e Caroebe. Com mais estes dois municípios, subiu para seis os quartéis interditados. Eles impedem a entrada e saída de viaturas por tempo indeterminado.

As manifestações contra salários atrasados começaram em Boa Vista há cerca de 40 dias, quando algumas mulheres se reuniram em frente ao Palácio Senador Hélio Campos, onde permanecem até hoje. Desde então, outras pessoas aderiram aos protestos que se espalham pelo Estado. Apenas as viaturas que já estavam fora dos pátios têm sido usadas para atender as ocorrências.

Em todos os pontos de manifestação, as mulheres recebem cestas básicas, produtos de higiene pessoal e limpeza, além de fraldas e leite. Os produtos ajudam as famílias que passam por dificuldades financeiras, devido à falta de pagamento de salários dos servidores há mais de 60 dias.

Uma delas, Suzy Lopes, relatou que algumas famílias passam por situação ainda mais crítica, por depender exclusivamente do salário dos policiais.

"Muitas mulheres não trabalham fora, ficam cuidando das crianças e da casa. Com o atraso, estão passando por um momento muito delicado, pois já são dois meses sem salário, e isso é muito difícil para essas famílias", declarou.

EM BOA VISTA

O movimento começou após o atraso do pagamento dos salários referentes ao mês de setembro. A princípio, as mulheres protestaram em frente à Assembleia Legislativa, em outubro e, depois de notarem que não surtiu efeito, montaram acampamento em frente ao Palácio do Governo.

Há quase duas semanas, mulheres fecharam dois batalhões na cidade: o Comando de Policiamento da Capital (CPC), no Centro, e o 2º Batalhão da Polícia Militar, no bairro Pintolândia. Elas usaram correntes e cadeados, obrigando os militares a entrarem e saírem a pé. No CPC, apenas advogados e policiais podem transitar. 

"Foi uma atitude para poder chamar a atenção de que os policiais passam por uma complicação financeira que dificulta o deslocamento diário para trabalhar. Não temos gasolina e, mesmo assim, todos os dias eles têm de trabalhar. Complicado", lamentou uma das mulheres.

Durante este período, elas já foram a órgãos públicos protestar com faixas e cartazes, com intuito de que a Justiça Estadual tomasse a frente da situação e obrigasse o governo a pagar os salários dos servidores.

RORAINÓPOLIS

Após uma série de manifestações em apoio ao movimento da capital, manifestantes também decidiram fechar os portões da sede da 3ª Companhia de Policiamento Militar em Rorainópolis, no dia 3 de dezembro.

No município, a entrada dos policiais é liberada. No entanto, as viaturas foram retidas e não podem ser usadas para atender as ocorrências. Pelo menos quatro estão no pátio e só saem em caso de "vida ou morte", afirmaram as manifestantes.

De acordo com uma das mulheres, a situação está complicada, mas alguns empresários têm ajudado as famílias em condições de maior vulnerabilidade.

"Na minha casa, já está faltando comida. Como vamos fazer?", questionou a mulher. 

CARACARAÍ

No município de Caracaraí, no Sul de Roraima, manifestantes fecharam o batalhão no dia 4 de dezembro, onde acampam até agora. As mulheres dos policiais e bombeiros militares do município não são favoráveis ao pagamento de salários com recursos do Instituto de Previdência (Iper).

De acordo com informações já veiculadas pelo Roraima em Tempo, os portões estão fechados com cadeados e seguirão assim até que o pagamento dos meses atrasados seja feito.

PACARAIMA

Na manhã de ontem (5), as mulheres dos policiais passaram a bloquear a passagem da Companhia de Policiamento de Pacaraima, único batalhão do município. Cerca de 20 manifestantes usaram correntes e cadeados para impedir a saída das viaturas.

Uma das organizadoras, Jeane Lopes, afirmou que entraram para o terceiro mês sem salário, e a situação é "triste".

Ela acredita que falta um "olhar a mais para a população" por parte dos representantes políticos do Estado. "Como esses guerreiros vão trabalhar? Só por amor à farda? Que situação é essa?", declarou, ao acrescentar que o protesto é pacífico.

"Não estamos fazendo baderna, nem barulho, estamos no local esperando que uma providência seja tomada, mas só sairemos com o salário na conta", declarou.

CAROEBE

Nessa quarta-feira, os protestos também ocorreram em Caroebe, localizado no Sul do Estado. Da mesma maneira que acontece em outras cidades, mulheres trancaram o batalhão por tempo indeterminado.

"As 'meninas' amanheceram lá hoje [ontem] e não vão deixar sair nenhuma viatura, continuando firmes assim como nos outros protestos", informou Jeane Lopes.

SÃO JOÃO DA BALIZA

De acordo com informações apuradas pela reportagem, as famílias de militares também protestam e impedem a passagem de viaturas em São João da Baliza. 

Por meio de vídeo compartilhado nas redes sociais, as mulheres pedem apoio da população, e afirmam: "sem pagamento, sem policiamento".

 

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