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Produtor denuncia dificuldade para conseguir milho fornecido pela Conab

Produtores aguardam liberação do milho pela Companhia Nacional de Abastecimento, que diz não poder ir contra a legislação


Há pelo menos 400 toneladas de milho nas dependências da companhia que não estariam sendo liberadas aos produtores - Fabio Calilo/ Roraima em Tempo

O produtor Eduardo Júnior denunciou ao Roraima em Tempo que não consegue adquirir milho na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo ele, há grãos em estoque, mas por questões burocráticas nenhum produtor está tendo acesso à mercadoria, o que tem causado transtornos.

Morando na Vila Samaúma, no município de Mucajaí, Eduardo relatou que os animais que dependem do milho para se alimentar estão passando fome, já que a dieta não foi substituída por outro insumo. Caso o problema não seja resolvido logo, ele já contabiliza prejuízos.

"Sem o milho, vai gerar uma série de problemas que irá resultar em muitos prejuízos financeiros. Há risco, por exemplo, de muitos animais morrerem ou sofrerem sérios danos, o que a gente não deseja que aconteça. Por isso, estamos denunciando para evitar problemas maiores", justificou.

De acordo com o produtor, o problema vem ocorrendo desde a semana passada. Ele disse que tentou conversar com a responsável pela Conab para poder adquirir o milho, mas não teve êxito. Sem ter como alimentar os animais, o produtor disse que não sabe o que fazer.

"Vim diretamente da minha propriedade na Vila Samaúma e pelo visto vou ter de voltar do mesmo jeito que cheguei, sem nada. Eles não podem fazer isso, a gente não pode ser penalizado por questões burocráticas que ninguém tem nada a ver", desabafou Eduardo.

Há pelo menos 400 toneladas de milho nas dependências da companhia que não estariam sendo liberadas aos produtores. "Há um decreto presidencial garantindo que todo milho que vem para Conab tem de ser liberado, e não é isso que está acontecendo".

Produtores de outras localidades do Estado também estão passando pelos mesmos problemas e aguardam um posicionamento da Conab sobre a data em que todos poderão de novo adquirir o milho, normalmente, na unidade.

O QUE DIZ A CONAB

Por meio de nota, a Conab informou que só pode vender os estoques de milho do Programa de Vendas em Balcão (ProVB) com a autorização do Conselho Interministerial dos Estoques Públicos (Ciep). Apesar de reconhecer o problema enfrentado pelas pequenas granjas por não terem a ração diária de seu plantel, a companhia infelizmente não pode agir contra a legislação.

Ainda de acordo com a grande demanda pelo milho da Conab no programa ao longo deste ano, a companhia atingiu o limite máximo de venda autorizado pelo governo federal, que consistia até então em 200 mil toneladas do produto, conforme Resolução do Ciep nº 1/2018. Para dar continuidade ao programa, a Conab já havia solicitado ao Conselho a liberação de mais 100 mil toneladas de milho para comercialização pelo ProVB, mas a resolução que deve autorizar a venda ainda não foi publicada no Diário Oficial. Assim que a autorização for concedida, serão realizadas todas as medidas necessárias para dar continuidade ao atendimento do programa.

"Vale ressaltar que essa demanda suplementar de 100 mil toneladas só se mostrou necessária em virtude do contexto político e econômico vivenciado pelo país, culminado na paralisação dos caminhoneiros, que gerou grande impacto sobre o abastecimento de diversos produtos, entre eles, o milho. Ainda houve aumento da procura também pelo agravamento da seca na Região Nordeste, com quebra de safra, redução da oferta e consequente aumento dos preços praticados nos mercados locais. Essa conjuntura ampliou consideravelmente a busca pelo Programa de Vendas em Balcão pelos pequenos criadores, levando a Conab a adotar todos os procedimentos cabíveis, dentro da sua competência legal, para a solução do problema", destacou a nota.

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