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Produtores rurais de Roraima estão sem receber pagamento de notas há um ano

Uma das empresas que está sem receber é a CoopHorta, que declarou estar sem suas notas desde setembro de 2017


Situação tem afetado a produção de merenda escolar no Estado - Getty Images

Agricultores familiares de Roraima denunciam a falta de pagamento de notas que estão atrasadas há cerca de um ano e que as verbas destinadas para este fim estariam sendo destinadas apenas para grupos e empresas ligadas a um mesmo grupo político.

As empresas que fornecem hortaliças para a merenda escolar no Estado são de cunho familiar e devem receber pelo menos 30% da verba destinada à compra e solicitação de material para preparar o lanche das escolas e creches da cidade. De acordo com os denunciantes, este dinheiro não está sendo repassado da maneira correta, pois parte deste percentual estaria sendo destinada para grandes empresas que possuem afinidade política com o governo.

Uma das empresas que está sem receber é a CoopHorta, que declarou estar sem suas notas desde setembro de 2017 e sem receber cerca de R$ 2 milhões, que deveriam ter sido repartidos entre as mais de 630 famílias de produtores rurais.

Jocélio Oliveira, um dos agricultores que fazem parte da cooperativa, afirmou que a situação ocorre por "má vontade". Ele ainda afirmou que as famílias que deveriam ser contempladas com a verba estão sem condições de continuar as plantações e as colheitas.

Além disso, Oliveira destacou que pode afirmar que este dinheiro está sendo repassado de forma indevida porque no site da Secretaria de Fazendo do Estado há uma consulta de pagamento pública que mostra que as verbas estariam sendo pagas para outras empresas que não estão passando pela mesma situação de atrasos como a CoopHorta, por exemplo.

O agricultor disse ainda que empresas com atraso de apenas um mês estão recebendo as verbas antes dos pequenos produtores, que não recebem há um ano.

Gevaldir Gregorato, outro produtor rural, falou a respeito da situação pela qual está passando. Ele disse que a agricultura depende fielmente dos incentivos monetários para que tenha uma continuidade.

"O agricultor depende de receber o produto que vende para poder dar continuidade à horta. A agricultura é uma necessidade constante de insumos, mão de obra e trabalho para que você tenha produção durante o ano todo e ele não está conseguindo, pois não recebe o que produz", relatou.

Ainda declarou que a baixa renda atual impede até que eles possam continuar plantando e cultivando.

"Tudo depende de dinheiro, pois quando plantamos precisamos imediatamente estar cuidando desta plantação, temos que comprar anti-pragas, montar nossa irrigação, porque aqui é muito quente. Então, é extremamente necessária. Acabamos devendo aos comerciantes locais de quem temos de comprar as coisas, e assim não dá".

Atualmente, a cooperativa passa por muitas dificuldades, porque segundo ele há uma tentativa de conversa com o governo, mas  nunca conseguiram chegar a um acordo.

"Estamos vendo a hora de nossa cooperativa se acabar em terra e por causa da falta de pagamento" declarou Gregorato.

PROTESTO

Uma manifestação está sendo organizada para a próxima segunda-feira (17) para pedir que a situação seja revista e cobrar que o pagamento seja feito aos pequenos produtores rurais do Estado. Entretanto, Jocélio Oliveira afirmou que organizar um protesto é complicado para os produtores que estão sem receber devido à dificuldade de se deslocar de seus municípios para a capital.

Quem também declarou apoio à causa dos produtores foi Rômulo Vieira, procurador de uma antiga empresa de alimentos. Ele disse que a diferença é que a empresa deixou de renovar o contrato com o governo em fevereiro por causa da falta de pagamento que estaria acontecendo desde 2017, por isso a empresa se recusou a renovar o contrato.

Vieira ressaltou que a situação é um "descaso" com os empresários e produtores do ramo que fazem toda a sua parte e não recebem a quantidade nem na data devida. Ainda afirmou que em razão do pagamento atrasado a empresa teve de reduzir negócios por não existir investimento.

"É um descaso que isto esteja acontecendo porque são recursos federais e isso jamais poderia ocorrer. Eles deveriam estar sendo repassados corretamente", concluiu.

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