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Promotor de Justiça comparece a protesto no 5° Distrito Policial e causa tumulto

Ânimos ficaram exaltados e promotor deixou o local vaiado por servidores que protestavam no distrito policial

Créditos: Anderson Soares
- Fabio Calilo

O promotor de Justiça Masato Kojima causou tumulto na manhã dessa quinta-feira (6) ao comparecer à sede do 5° Distrito Policial, conforme relato de servidores que estão acampados em frente à delegacia desde quarta (5) em protesto contra mais de dois meses de salário atrasado.

Segundo foi relatado, o promotor chegou por volta das 9h30 acompanhado de um policial militar que fazia a segurança dele, ambos com os ânimos alterados e destratando os servidores que estavam de forma pacífica reivindicando os direitos da categoria.

Por conta do comportamento indevido de Kojima com os servidores, houve confusão e o promotor foi vaiado e pediram para que ele se retirasse do local imediatamente. Conforme foi destacado, ele teve ainda o pneu do veículo furado, além da lataria arranhada. O carro foi levado por um guincho.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civil (Sindpol), Leandro Almeida, alegou que não estava nas dependências do 5° Distrito Policial na hora em que ocorreu o fato, mas declarou que conversou posteriormente com o promotor para saber os motivos que o levaram a ter tal comportamento.

"Segundo o promotor, parece que tinha um preso dentro de uma viatura da Polícia Militar e queria que o procedimento fosse feito. Nós informamos a ele que a viatura não havia chegado aqui no 5° DP, então não houve recusa alguma. Parece que passaram essa informação para ele e isso não procede", garantiu o sindicalista.

Almeida acrescentou que uma equipe policial escalada para permanecer no distrito garantiu que nenhuma viatura da PM compareceu à localidade para entregar preso. "Acho que houve uma falha de comunicação entre a PM e o próprio Ministério Público", sustentou o presidente do Sindpol.

BLOQUEIO

Para chamar a atenção das autoridades sobre o protesto da categoria, a rua que passa em frente ao 5° DP foi bloqueada com pneus em chamas. O trânsito teve de ser desviado para uma rua paralela. Segundo o presidente do Sindpol, os motoristas não reclamaram e são a favor do ato.

Carros também foram colocados atravessados na via impedindo o tráfego na pista. O 5° DP está de portas fechadas desde às 8h de quarta-feira (5) como forma de protesto contra os salários atrasados dos policiais. Nenhum serviço está sendo prestado na unidade. A previsão é que os trabalhos se normalizem no sábado (6), quando terá acabado o prazo de 72 horas estipulado pelo sindicato.

NOTA DO MP

"O Ministério Público do Estado de Roraima vem a público esclarecer as circunstâncias do lamentável episódio ocorrido na manhã de hoje, 6/12, na sede do 5º Distrito Policial, envolvendo o Promotor de Justiça Masato Kojima e manifestantes que se encontravam no local.

A visita ocorreu devido à notícia de suspensão das lavraturas de autos de prisão em flagrante. Ao contrário do que vem sendo veiculado na imprensa local, em nenhum momento houve coação aos manifestantes quanto à retomada dos serviços, tampouco ameaça de prisão a qualquer um deles.

O Ministério do Público do Estado de Roraima se solidariza com o sofrimento enfrentado pelos servidores públicos e familiares decorrentes do descontrole e malversação do dinheiro público que ocasionou a falta de pagamento dos salários, ao passo que repudia veementemente todo e qualquer ataque à instituição, em especial, os dirigidos ao promotor de Justiça Masato Kojima, no exercício de suas funções, e pela equipe de Segurança Institucional do órgão.

O MPRR encontra-se vigilante, atuando nas mais diversas esferas para garantir a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis da população roraimense. Diversas são as ações propostas para fazer valer as garantias constitucionais, a exemplo da recente decisão judicial proferida pela Justiça Federal em face do descumprimento por parte do Governo do Estado de acordo já homologado judicialmente com Ministério Público do Estado de Roraima e o Ministério Público Federal, referente ao pagamento dos servidores da segurança pública."

 

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