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Roraima em Tempo conheceu o Robert Smith do lavrado, o paraense Jamil Vilela

Dono de uma alma livre o artista da madeira recebeu nossa reportagem em seu ateliê no Caranã

Créditos: HENRIQUE ARAGÃO
- Reprodução/Facebook

Na manhã de ontem as redes sociais de Roraima foram tomadas por um protesto muito bem humorado. A #sussucadêomoney tomou conta das time-lines, acompanhada de um vídeo aonde um cabeludo de óculos escuros sem camisa tocava um reggae no violão entoando o refrão em coro "Sussu cadê o money?". Rapidamente todos os cidadãos solidários aos servidores públicos do estado de Roraima que já somam mais de 60 dias sem receber passaram a compartilhar o vídeo.

Toda a redação do Roraima em Tempo recebeu mensagens com o vídeo. Mensagens vindas até de Nova Iorque, queriam saber quem era aquele "cara do vídeo". Todo os repórteres e editores se empenharam na busca do cantor misterioso, de esportes, polícia, cidades, e até política se empenharam em encontrar o personagem do dia. No final da tarde dia conseguimos localizar o interprete do irreverente protesto.

A reportagem foi até o Caranã, para encontrar o artista da madeira Jamil Vilela, ou como ele prefere ser chamado J Vilela. A princípio o artista se mostrou um pouco arredio, não se deixou fotografar nem quis gravar entrevista. Mas depois de um pouco de conversa, e de incentivo de seus próprios amigos, que tomavam café com ele no local topou conversar em off.

Uma alma livre

Jamil nasceu em Belém do Pará, quando concluiu o primeiro ano do ensino fundamental o desejo de ganhar o mundo começou a falar mais alto. Colocou uma mochila nas costas e foi para Manaus encontrar um irmão. Tinha 17 anos na época.

Em Manaus montou uma banda de rock, a Alma Nômade, "a princípio tocávamos cover de bandas como The Cure, Joy Division e Nenhum de Nós. Aos poucos fomos nos tornando mais poetas" . Na capital do Amazonas casou-se, e montou um negócio, começou com uma papelaria pequena, que logo viraram duas lojas.

Quando se viu casado, um pequeno empresário, preso atrás de um balcão, lidando com a burocracia sentiu um aperto no peito. Manaus já tinha se tornado uma cidade grande, com engarrafamentos, e muita violência. Muitos de seus entes queridos eram vítimas constantes da cidade, o próprio foi assaltado por quatro vezes. Era demais.

Como sempre gostou de pedalar já conhecia a capital de Roraima. Logo largou tudo e veio para Boa Vista. Já tinha alguns amigos na cidade e logo arrumou pouso. A princípio montou uma papelaria na cidade, e como forma de extravasar sua energia criativa confeccionou um objeto em madeira para decorar a loja.

O objeto chamava a atenção dos fregueses, que procuravam a loja para tirar fotocópias. Tanto os clientes insistiram em compra ou encomendar peças semelhantes despertaram o interesse de J na marcenaria. Ele passou a assistir tutoriais no youtube para aprender a manipular o básico de marcenaria. Com o incentivo dos amigos passou a levar o passatempo a sério.

Juntou todo o material da papelaria em um saldão, e montou sua oficina de marcenaria. Em um trabalho de freelancer conheceu fez amizade com a proprietária do café Barracão do Poeta e encontrou ali o lugar para expor suas primeiras peças.

Foi um sucesso com o público do local, formado majoritariamente por professores e estudantes universitários, apreciou o trabalho. O artesão passou a receber encomendas, o passatempo enfim havia se transformado em sustento.

Hoje Jamil trabalha com reaproveitamento de madeira, e esculpe verdadeiras obras de arte. Autodidata na marcenaria e no design de móveis, recolhe boa parte da matéria prima em entulho da construção civil. Faz de móveis grandes a pequenos objetos de decoração "sempre peças únicas", tem peças suas até no Japão.

A música 

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Jamil mora em seu ateliê, onde também costuma receber muitos amigos, e ele parece os ter em profusão, ele realmente sabe cativar as pessoas. Nestas reuniões Jamil costuma dar uma palinha de voz e violão. No último feriado ao ouvir as dificuldades que seus amigos estão passando, por conta dos salários atrasados, inspiraram o artista a compor os versos. "A melodia veio na cabeça na hora".

Sobre a gravação do vídeo o artista comentou "O vídeo foi para dar uma voz a quem não pode protestar", como os profissionais da segurança pública, conforme o Roraima em Tempo veem noticiando. "É uma forma de solidariedade com os que estão passando necessidades por conta dos atrasos nos pagamentos".

Confira abaixo a música que tomou conta das redes socials:

Sussu surucucu, cadê o money? De Pacaraima ao Boiaçu todos querem saber Sussu? Sussu cadê o money ? Sussu cadê o money? Sussu cadê o money? Sususuuuuuuu

Sussu amanhã só tem caju, e ai? Tira o dedo do meu Sussu cadê o money? Sussu cadê o money? Sussu cadê o money? Sususuuuuuuu

Sussu cadê o money? Quero pagar o IPTU, já fui ao Itaú e me negaram todo o tutu Sussu cadê o money? Sussu cadê o money? Susu cadê o money? Sususuuuuuuu

Sussu cadê o money? surucucu, no meu natal tô sem peru, to plantando até chuchu responde ai tu que me fû? Sussu cadê o money? Sussu cadê o money? Sussu cadê o money? Sususuuuuu