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Roraima se mantém na 12ª colocação no IDH há quase 30 anos, revelam dados do IBGE

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) tem como base o desempenho da saúde, educação e renda de cada região

Créditos: ANDERSON SOARES

Desde que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi criado, há quase três décadas, Roraima vem ocupando o 12º lugar no ranking na maioria dos anos. Atualmente, o Estado continua na mesma posição, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para realização do IDH é levado em consideração, principalmente, o desempenho da saúde, educação e renda de cada região. Com base nos resultados obtidos do índice, é possível saber, por exemplo, se o estado tem se desenvolvido, oferecendo mais qualidade de vida aos habitantes.

O fato de Roraima permanecer desde 1991 na mesma posição não significa que ele não tenha crescido e melhorado os serviços à população nas últimas décadas, como explicou o economista Fábio Martinez.

"Quando a gente fala em posições, é um comparativo com outros estados, não quer dizer que o IDH de Roraima foi o mesmo desde 20 anos atrás, não é. Ele vem evoluindo assim como de outras unidades da federação", explicou.

Conforme o Censo do IBGE, na década de 1990, Roraima estava na 12ª posição, sendo o 2° da Região Norte. Em 2015, o Estado continua na mesma colocação, mas passou a ocupar a 1ª na região. O economista disse que em comparação aos anos anteriores com os dias atuais o Estado melhorou.

"A gente estava com o IDH em 1991 de 0,459, que é um desenvolvimento considerado muito baixo. Já conforme os últimos dados disponíveis, o IDH é de 0,743. Mesmo permanecendo na 12ª colocação, a gente tem um índice de desenvolvimento considerado alto, mais do que muitos estados no Nordeste", destacou.

Os dados revelam que Roraima tem a melhor colocação da Região Norte, principalmente, por conta da saúde, segundo frisou Martinez. Outro fator que contribui para essa liderança no topo do ranking é a renda, mesmo o Estado tendo uma leve queda nesse quesito em 2015 em virtude de crises econômicas.

"O que puxa muito o IDH de Roraima para baixo é justamente o índice que trata da saúde, que se baseia na longevidade, ou seja, na expectativa de vida ao nascer. A nossa aqui é baixa e somos o sexto na Região Norte, o penúltimo. No Brasil, somos o 24º. Um dado alarmante para Roraima é que isso se deve muito à baixa expectativa de vida das mulheres residentes aqui", justificou.

O sociólogo Linoberg Almeida avaliou a realidade de Roraima e disse que uma das hipóteses para o Estado não melhorar a colocação no IDH é o fato de não haver um projeto bem definido. Para ele, sem planejamento para alavancar as potencialidades da região, praticamente não haverá desenvolvimento econômico vinculado ao desenvolvimento humano.

Ele frisou ainda que o modo como é tratada a questão indígena em Roraima acaba influenciando muito o número do índice de desenvolvimento, assim como a questão da educação, nutrição e alimentação.

"Hoje, você tem muita gente dando macaxeira pra criança pequena, ao invés de ter nutrição com jeito certo, na idade certa. Alimentação materno-infantil de qualidade, projeto de desenvolvimento do Estado e projeto de educação de médio e longo prazo melhoram o IDH em vários lugares do mundo. Foi assim que a Índia fez", enfatizou.