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Segundo dados do IBGE, 36,1% da população de Roraima vive em situação de pobreza

Diversos são os fatores que levam Estado a apresentar esse percentual considerado alto em relação ao número de habitantes

Créditos: Gabriela Marcondes
- Fabio Calilo

Nessa quarta-feira (5), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados sobre as pessoas que vivem em situação de pobreza no Brasil. A taxa em Roraima revela que 36,1% da população se encaixam nessa faixa, sendo maior que o do Rio de Janeiro, Paraná, Espírito Santo e Distrito Federal, locais em que o índice chega a 30%.  

A situação de desigualdade e pobreza em Roraima é um fator preocupante que se agrava com a crise econômica pela qual o Estado passa. Grande parte do dinheiro que circula é o que vem do "contracheque" do servidor público. São poucos os empreendimentos autônomos que conseguem empregar uma quantidade considerável de mão de obra para poder movimentar a economia.

Embora fatores negativos, como aumento da criminalidade e da pobreza, muitas vezes sejam atribuídos por muitos moradores aos imigrantes, devido ao fluxo de venezuelanos que tem chegado ao Estado e passam por diversas necessidades, especialistas descartar ser essa a causa.

Segundo o sociólogo Linoberg Almeida, a taxa elevada da pobreza em Roraima não se deve à crise migratória.

"Colocar nas costas dos imigrantes nossa incompetência em tirar as pessoas da pobreza ou extrema pobreza seria simplificar uma questão estrutural brasileira. A renda familiar é muito baixa, a desigualdade social é grande, com a lacuna entre ricos e pobres crescente. Saneamento básico, em especial rede de esgoto deficitária ou que se amplia em ritmo lento privilegiando a capital e em bem menor escala o interior. Apesar de termos coleta de lixo, ainda temos lixões e cada vez mais perto das residências populares, a qualidade dos empregos, a dependência do contracheque e do serviço público, a ausência de parque industrial e diversidade de matriz econômica, uma educação que prepare para o mercado e para vida. São elementos que contribuem nesse quadro vertiginoso", explicou Almeida.

Dados do IBGE apontam que a renda mensal por pessoa em Roraima é de R$ 2.154, valor alto em relação ao índice de pobreza que o Estado apresenta. Almeida apontou que esses dados precisam ser analisados corretamente para se chegar até a real situação.

"Quando o IBGE faz o levantamento, ele gera a renda média. Em Roraima, nós temos uma alta concentração de serviço público especializado. Então, você tem uma grande quantidade de servidores ganhando de R$ 20 a R$ 30 mil, e muita gente dependendo do Bolsa Família, de menos de R$ 900. A média vai expulsar para baixo, mas [a média] conhecida de pessoas em Roraima não está ganhando R$ 2.154", relatou o sociólogo.

Tabelas disponibilizadas pelo IBGE analisam a renda média per capita em Roraima, e informam que 40% dos mais pobres têm uma renda em torno de R$ 291, e 10% dos mais ricos, de R$ 5.177 para os 10%. Isso no Estado, como um todo.

DADOS NO BRASIL

Segundo o IBGE, é considerada em situação de extrema pobreza quem dispõe de menos de US$ 1,90 por dia, o que equivale a aproximadamente R$ 140 por mês. Já a linha de pobreza é de rendimento inferior a US$ 5,5 por dia, o que corresponde a cerca de R$ 406 por mês.

Os dados fazem parte da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do Instituto, que revelou rendimento mensal por trabalhador em Roraima de R$ 2,1 mil, acima até mesmo da média do Brasil, cotada em R$ 2 mil. Os números são do ano de 2017.

Enquanto o rendimento é de R$ 1,4 mil por mês na classe branca, os pretos e pardos têm R$ 905 e R$ 911, respectivamente. Os valores diminuíram, se comparados com os mesmos de 2016, quando os pardos tinham média de ganho de R$ 959 e os pretos de R$ 994.

SANEAMENTO

Conforme o relatório, a cada mil pessoas em Boa Vista, 330 não têm acesso a saneamento básico. Outro dado importante diz respeito à taxa de desocupação. A cada universo de mil pessoas, 75 não possuem trabalho. O percentual é de 10%.

ESTUDO

Para erradicar a pobreza, o estudo apontou que seria necessário investir R$ 10,2 bilhões por mês na economia ou garantir R$ 187 por mês a mais, em média, na renda de cada pessoa nessa situação. A análise demonstra que não só a incidência da pobreza aumentou, mas também a intensidade, já que em 2016 esse valor era de R$ 183 a mais.

 

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